
Em 5 de outubro de 1942, a criação da Força Naval do Nordeste deu forma a uma tarefa que havia se tornado urgente para o Brasil: proteger os navios mercantes que continuavam transportando pessoas e cargas em um Atlântico ameaçado pela guerra submarina. O aniversário de 84 anos dessa organização recorda uma parte da história em que a defesa naval e o trabalho da Marinha Mercante estiveram profundamente ligados.
Os torpedeamentos de embarcações brasileiras, intensificados em 1942, haviam levado o conflito para perto das famílias, das tripulações e das cidades costeiras. A continuidade das viagens passou a depender de uma proteção organizada, enquanto o transporte marítimo permanecia necessário ao abastecimento e ao esforço de guerra aliado.
Criada pelo Aviso nº 1.661, a Força Naval do Nordeste teve seu comando atribuído ao então Capitão de Mar e Guerra Alfredo Carlos Soares Dutra, posteriormente promovido a Contra-Almirante. O Nordeste possuía importância estratégica pela posição de seu litoral em relação à África e às rotas que ligavam o Atlântico Sul a outras áreas de operação.
A força reuniu inicialmente os cruzadores Bahia e Rio Grande do Sul, navios-mineiros posteriormente reclassificados como corvetas e caça-submarinos, com a incorporação de outros meios e a cooperação com os Estados Unidos, passou a integrar o dispositivo operacional da Quarta Esquadra norte-americana.
Seu trabalho envolvia patrulhamento e escolta de comboios. Para os mercantes, navegar em grupo e contar com proteção naval era uma resposta concreta à ameaça dos submarinos e as rotas entre o Caribe e o litoral sul brasileiro exigiam presença continuada no mar, treinamento e coordenação entre embarcações com funções diferentes.
Segundo os registros históricos da Marinha do Brasil, foram organizados 575 comboios, com 3.164 navios mercantes escoltados. A Agência Marinha de Notícias também registra mais de 600 mil milhas náuticas navegadas pela força e esses números dimensionam um esforço prolongado de proteção do tráfego marítimo.
Os navios de guerra tinham a missão de proteger e os mercantes precisavam continuar transportando. A relação entre essas duas atividades permitiu que cargas essenciais seguissem viagem em meio ao conflito, com tripulações expostas a riscos que faziam parte de cada travessia.
Para o Centro dos Capitães da Marinha Mercante, recordar a Força Naval do Nordeste significa preservar também a memória dos profissionais que permaneceram a bordo dos mercantes. Sua participação na guerra deve ser compreendida pelo trabalho que realizavam, pelas responsabilidades que assumiam e pelas vidas perdidas no mar.
A data reúne essas duas histórias: a dos marinheiros empenhados na escolta e a dos marítimos que conduziam os navios protegidos. Conhecer essa atuação conjunta ajuda a reconhecer o lugar da Marinha Mercante na experiência brasileira da Segunda Guerra Mundial.
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Categoria: História & Memória