
Montar uma escada de prático pode parecer uma tarefa rotineira. Mas, quando a operação exige abrir uma proteção, movimentar peças pesadas ou trabalhar perto da borda, cada etapa precisa ser avaliada com atenção.
Um acidente investigado pela Agência de Investigação de Acidentes Marítimos do Reino Unido (MAIB) mostra como uma prática repetida pode esconder riscos para toda a equipe: em 14 de outubro de 2025, a bordo do navio World Prize, nas proximidades da costa sueca, a tripulação preparava uma escada combinada, formada pela escada de portaló e pela escada de prático. O contramestre Antonio Competente trabalhava com o imediato e um marinheiro quando a barra espaçadora da escada ficou presa na estrutura da escada de portaló. Ao tentarem soltá-la, o contramestre perdeu o equilíbrio e caiu ao mar.
A investigação da MAIB foi publicada em julho de 2026: a operação envolvia pessoas em diferentes posições e, enquanto a equipe de convés cuidava da montagem, o comandante, o terceiro oficial e os dois práticos estavam na ponte. Depois da queda, a tripulação iniciou o alerta e a equipe da lancha de prático tentou fazer o resgate. A ocorrência exigiu coordenação entre quem executava o serviço, quem supervisionava a operação e quem podia responder ao homem ao mar.
A investigação identificou falhas que já vinham sendo incorporadas à rotina: proteções removidas, ausência dos equipamentos previstos para reduzir o risco de queda e comunicação insuficiente entre os envolvidos. Havia procedimentos e uma autorização de trabalho, mas as medidas de segurança registradas não foram efetivamente aplicadas. A MAIB também observou que ninguém interrompeu o serviço, embora a empresa tivesse uma política de parada e diferenças de hierarquia podem ter dificultado que trabalhadores menos experientes manifestassem preocupação.
O caso não deve ser reduzido a um erro individual.
A própria investigação aponta para uma combinação de prática normalizada, supervisão pouco clara e barreiras de segurança ausentes. Quando o plano muda, uma peça fica presa ou a equipe precisa improvisar, a tarefa já não está seguindo exatamente o roteiro previsto e esse é o momento de parar, reavaliar o risco e combinar de novo quem faz o quê.
Antes de abrir uma proteção ou movimentar a escada, a equipe precisa confirmar como a área ficará protegida contra quedas. Também deve verificar os pontos de ancoragem, os equipamentos de proteção compatíveis com a atividade, o alcance dos rádios e quem responde pela supervisão e uma conversa breve antes do serviço ajuda a definir a sequência, os sinais de comunicação e o critério para interromper a operação.
Se surgir um imprevisto, qualquer pessoa envolvida deve poder pedir a parada sem receio de represália.
A resposta a uma queda também depende de preparo. No acidente do World Prize, a equipe da lancha tentou recuperar o contramestre, mas a investigação apontou limitações de familiaridade com o sistema de resgate então disponível. Depois do caso, foram adotadas medidas como melhorias nos pontos de ancoragem, ajustes nos equipamentos e novos exercícios de homem ao mar e o relatório destaca que os recursos precisam ser conhecidos e praticados por quem poderá usá-los.
A segurança da transferência de prático começa antes de o profissional se aproximar da escada. Ela depende de equipamento adequado, planejamento revisto diante de mudanças e de uma equipe em que todos possam reconhecer o perigo e interromper o trabalho.
Na prática, prevenir uma queda é responsabilidade compartilhada por quem executa, supervisiona, coordena e participa da resposta.
imagem: www.eurosul.com
Categoria: Conhecimento & Formação