
A expansão da frota mercante mundial está aumentando a procura por profissionais habilitados. O problema é especialmente visível entre os oficiais: um relatório da BIMCO e da Câmara Internacional de Navegação (ICS) estima que, em 2026, faltam 39.100 oficiais certificados segundo os padrões internacionais e, para atender à demanda projetada até 2030, será necessário incorporar mais 113.735 oficiais à força de trabalho marítima.
O estudo estima que 2,57 milhões de marítimos trabalham em 85.148 navios mercantes.
Desde 2021, a demanda por profissionais certificados cresceu 35%. Entre os oficiais, o aumento foi de 23,1%; entre os demais profissionais marítimos de funções operacionais, chamados ratings no relatório, chegou a 46,3%. A expansão da frota e a recuperação das atividades após a pandemia estão entre os fatores apontados para esse crescimento.
Os números mostram um desequilíbrio importante: o relatório também estima uma oferta superior à demanda de 56.890 ratings. Isso não significa que esses profissionais possam ser convertidos automaticamente em oficiais. A progressão exige formação aprovada, experiência de mar, avaliação de competência e certificação e a Convenção STCW estabelece padrões internacionais mínimos para treinamento, certificação e serviço de quarto dos marítimos.
Essa diferença é central para entender o desafio: um oficial precisa estar preparado para assumir responsabilidades de navegação, operação e tomada de decisão a bordo. Ainda, a experiência prática de outros profissionais da tripulação é valiosa, mas não substitui a formação exigida para cada função.
A própria ICS alerta que ampliar o número de cadetes, por si só, não resolve a questão: também são necessários treinamento adequado, acompanhamento e caminhos seguros de progressão na carreira.
A pressão tende a crescer com a entrada de novas tecnologias e combustíveis: navios que utilizam sistemas digitais mais complexos ou combustíveis como metanol e amônia exigem conhecimentos específicos das equipes. Formar e reter profissionais passa, portanto, a fazer parte da preparação operacional da frota e da segurança das pessoas que trabalham a bordo.
Para o Brasil, a projeção internacional serve como alerta sobre a importância de manter formação marítima consistente, atrair novos profissionais e criar condições para que eles permaneçam na atividade.
Os números divulgados pela BIMCO e pela ICS são globais e não indicam quantos oficiais faltam especificamente no país. Ainda assim, apontam uma questão que alcança toda a comunidade marítima: navios mais avançados e uma frota maior continuarão dependendo de gente qualificada para operar.
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Categoria: Pessoas, Formação & Vida no Mar