GMDSS e comunicações marítimas: a infraestrutura que precisa funcionar na emergência

por CCMM_news_gp

Uma emergência no mar pode começar com uma avaria, um incêndio ou uma situação de perigo à vida. Para que o pedido de socorro chegue a quem pode agir, porém, é preciso que uma rede de comunicações funcione de ponta a ponta. Essa é a tarefa do Sistema Global de Socorro e Segurança Marítima, conhecido pela sigla inglesa GMDSS: integrar equipamentos, procedimentos e frequências para transmitir alertas e informações de segurança por meios terrestres e por satélite.

A bordo, essa estrutura pode combinar radiocomunicações em VHF, MF e HF, chamada seletiva digital, radiobalizas de emergência e serviços via satélite. A combinação varia conforme a área de navegação e os requisitos aplicáveis à embarcação. Um alerta pode ser recebido por uma estação costeira ou por um centro de coordenação de salvamento; embarcações próximas também podem ser chamadas para prestar auxílio e, por isso, o GMDSS não se resume a um aparelho instalado no passadiço: depende de equipamentos compatíveis e operacionais, frequências protegidas contra interferências e profissionais preparados para usar os procedimentos corretamente.

O sistema também passa por atualizações. A Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2023, por exemplo, incorporou ao Regulamento de Radiocomunicações disposições relacionadas ao NAVDAT, sistema digital que pode transmitir informações de segurança marítima, como avisos meteorológicos e de navegação. A conferência também tratou do reconhecimento provisório de um serviço de mensagens por satélite BeiDou, condicionado à coordenação e à proteção contra interferências e essas mudanças mostram como as regras acompanham novas tecnologias sem perder de vista a confiabilidade das comunicações de emergência.

A preparação para a Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027, organizada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), prevista para ocorrer em Xangai, de 18 de outubro a 12 de novembro de 2027, traz outra questão para o setor.

Um dos itens da agenda examina o uso de faixas de frequência na banda Ka por estações terrestres em movimento, inclusive marítimas, para comunicação com sistemas de satélite. O objetivo é ampliar possibilidades de conectividade, mas mantendo a proteção dos serviços que já utilizam essas frequências. Esse debate sobre conectividade por satélite é relacionado ao ambiente das radiocomunicações marítimas, mas não significa, por si só, uma alteração nos canais de socorro do GMDSS. A distinção importa: ampliar o acesso à internet ou a serviços de dados a bordo não é o mesmo que revisar os meios reconhecidos para alertas de socorro e segurança.

No Brasil, a conexão entre comunicações e resposta a emergências tem uma dimensão concreta. A Marinha informa que o SALVAMAR Brasil supervisiona o serviço de busca e salvamento marítimo, apoiado por centros e subcentros de coordenação SAR ao longo da costa e em áreas fluviais. A própria estrutura brasileira inclui o atendimento ao GMDSS entre as responsabilidades relacionadas ao serviço e, assim, quando um alerta é enviado, o caminho entre o navio, a estação que o recebe e o centro responsável pela coordenação pode ser decisivo para mobilizar os recursos adequados.

Para quem trabalha no mar, a discussão internacional sobre espectro pode parecer distante da rotina de bordo. Ainda assim, ela influencia as condições para que diferentes sistemas coexistam e para que mensagens prioritárias não se percam em meio a outros sinais. No fim, a eficácia do GMDSS aparece quando a comunicação precisa acontecer: o pedido de socorro é transmitido, recebido e compreendido a tempo de orientar uma resposta.

imagem: gmdsstesters.com

Categoria: Segurança, Regulação & Meio Ambiente

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