O sistema marítimo brasileiro reúne um amplo conjunto de instituições, organizações e atividades relacionadas à defesa nacional, ao comércio marítimo, à navegação interior, à formação profissional, à pesquisa científica, ao desenvolvimento das atividades econômicas ligadas ao mar e à proteção dos interesses nacionais nas águas jurisdicionais brasileiras. Em razão de sua própria formação histórica, o conceito de marinha no Brasil ultrapassa a dimensão estritamente militar e abrange estruturas que permitem ao país desenvolver sua vocação marítima.
Em sentido mais amplo, esse sistema é formado pelo conjunto de organizações e atividades ligadas ao uso do mar, dos rios navegáveis e das águas interiores. Ao longo de sua evolução, o Brasil estruturou instituições com atribuições específicas, porém complementares, que atuam de forma integrada em benefício da atividade marítima nacional.
A Marinha do Brasil, força singular integrante das Forças Armadas, possui a missão constitucional de contribuir para a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e a proteção dos interesses nacionais nos ambientes marítimo e fluvial. Na condição de Autoridade Marítima, também exerce responsabilidades relacionadas à segurança da navegação, ao salvamento marítimo, à normatização das atividades náuticas e à formação de diversos profissionais do setor aquaviário.
Outro componente essencial desse sistema é a Marinha Mercante, denominação atribuída ao conjunto de navios, empresas de navegação e profissionais dedicados ao transporte marítimo e fluvial de cargas e passageiros. A quase totalidade do comércio exterior brasileiro utiliza o transporte aquaviário, tornando a Marinha Mercante um dos principais instrumentos da integração econômica do país e de sua inserção no comércio internacional.
Também integram esse universo as estruturas responsáveis pela infraestrutura marítima e portuária, incluindo autoridades portuárias, terminais, estaleiros, empresas de apoio marítimo, serviços de praticagem e rebocagem, centros de pesquisa oceanográfica, organismos reguladores e entidades de formação profissional. Em conjunto, sustentam atividades como a exploração de recursos minerais e energéticos do mar, a pesca, a cabotagem, a navegação interior e o desenvolvimento tecnológico associado à Economia do Mar.
A formação de profissionais constitui outro elemento indispensável desse sistema. O Brasil conta com instituições dedicadas à preparação de marítimos, oficiais da Marinha Mercante, trabalhadores portuários, engenheiros navais, especialistas em logística e pesquisadores das ciências do mar, assegurando a continuidade do conhecimento técnico necessário ao desenvolvimento das atividades marítimas.
Assim, embora o termo marinha seja frequentemente associado apenas à sua dimensão militar, o sistema marítimo brasileiro deve ser compreendido de forma integrada. Ele reúne instituições, organizações, empresas e profissionais que desempenham funções distintas, mas complementares, contribuindo para a utilização segura, eficiente e soberana dos espaços marítimos e das vias navegáveis interiores.
Compreender essa estrutura significa reconhecer a complementaridade entre seus diferentes componentes. A defesa naval, a Marinha Mercante, os portos, a indústria naval, a pesquisa científica, a formação profissional e os serviços de apoio à navegação integram um mesmo sistema, cuja atuação sustenta parte significativa da economia brasileira, da integração territorial e da presença do país no ambiente marítimo internacional.