SS SAVANNAH

por CCMM

Quando o Savannah deixou a costa dos Estados Unidos em 1819, ninguém sabia exatamente se estava vendo o futuro da navegação ou apenas uma experiência extravagante. À distância, parecia um veleiro tradicional de três mastros. Mas havia algo estranho em seu casco: duas grandes rodas de pás e uma máquina a vapor que permitiam navegar mesmo quando o vento não ajudava.

Era uma embarcação literalmente dividida entre duas épocas.

O Savannah havia sido construído originalmente como veleiro em Nova York. Durante sua construção, porém, recebeu uma máquina a vapor auxiliar e rodas laterais. A solução era engenhosa: quando não estavam sendo utilizadas, as pás podiam ser recolhidas e o navio continuava sua viagem impulsionado pelas velas.

Em maio de 1819 veio a grande aposta. O Savannah partiu dos Estados Unidos em direção a Liverpool e tornou-se o primeiro navio equipado com propulsão a vapor a atravessar o Atlântico.

Há, entretanto, um detalhe que torna essa história ainda melhor.

A maior parte da travessia foi feita a vela.

A capacidade de transportar carvão era pequena demais para manter a máquina funcionando durante toda a viagem. Segundo o registro preservado pelo Smithsonian, durante os quase 30 dias até Liverpool o motor trabalhou por aproximadamente 80 horas.

Isso não diminui a importância da viagem. Pelo contrário. O Savannah mostrou que a máquina poderia participar de uma travessia oceânica numa época em que confiar o destino de um navio a uma caldeira ainda parecia uma ideia bastante ousada.

E havia tanta incerteza em torno daquela aventura que o navio cruzou o Atlântico sem passageiros e sem carga comercial. Seus proprietários não conseguiram transformar o feito tecnológico em sucesso empresarial.

Depois de visitar Liverpool, o Savannah seguiu para outros portos europeus e chegou até São Petersburgo. Quando retornou aos Estados Unidos, porém, a revolução que parecia anunciar ainda não havia chegado.

Em 1820, sua máquina foi retirada.

O pioneiro voltou a ser simplesmente um veleiro.

Sua carreira terminaria de maneira quase banal diante da importância histórica que conquistara: em novembro de 1821, o Savannah encalhou próximo a Long Island e foi perdido.

Mas a ideia não morreu com ele.

Menos de duas décadas depois, navios a vapor fariam a travessia do Atlântico de forma regular. Motores mais eficientes, maior capacidade de combustível e novos projetos de casco transformariam aquilo que no Savannah parecia uma experiência em uma das maiores revoluções da história do transporte.

Por isso talvez seja injusto perguntar se o Savannah foi um bom navio a vapor.

Ele não precisava ser.

Precisava apenas provar que o oceano também poderia ser atravessado sem depender exclusivamente do vento.

imagem: https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ASS_Savannah%2C_1819.jpg?utm_source=chatgpt.com

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