
Novo índice internacional mostra que infraestrutura física não explica sozinha o desempenho de um terminal e que cada hora de espera afeta toda a cadeia logística.
Durante muito tempo, a importância de um porto foi medida principalmente pela quantidade de toneladas ou contêineres movimentados. Esses indicadores continuam relevantes, mas não revelam quanto tempo o navio precisou esperar, quanto durou a operação nem com que regularidade a carga atravessou o terminal.
A edição mais recente do Container Port Performance Index, publicada pelo Banco Mundial em parceria com a S&P Global Market Intelligence, reforça outra forma de avaliar o desempenho: o tempo total que os porta-contêineres permanecem no porto.
O cálculo considera a chegada do navio à área portuária, o período de espera, a atracação, a operação e a partida. Os dados também são separados conforme o porte das embarcações, evitando que um terminal dedicado a navios alimentadores seja comparado diretamente, sem ajustes, a um grande centro de transbordo frequentado por porta-contêineres com capacidade superior a 13.500 TEUs.
Essa abordagem muda a interpretação dos números. Um porto pode apresentar crescimento de movimentação e, ainda assim, perder eficiência se o tempo médio das escalas aumentar. Da mesma forma, uma instalação de menor volume pode oferecer elevada produtividade, previsibilidade e rápido atendimento.
Para o armador, cada hora adicional interfere no consumo de combustível, na rotação dos navios e no cumprimento das escalas seguintes. Para o dono da carga, a demora pode significar falta de matéria-prima, perda de uma conexão logística ou aumento dos estoques mantidos como proteção contra atrasos.
O relatório também adverte que nem todo atraso é provocado pelo terminal. Mudanças de rota, concentração de chegadas, tempestades, restrições em canais, indisponibilidade de praticagem e crises geopolíticas podem fazer vários navios alcançarem o mesmo porto fora das janelas planejadas. Portanto, o índice deve ser utilizado como instrumento de diagnóstico, e não como uma classificação isolada de vencedores e perdedores.
Ainda assim, os resultados ajudam a identificar onde a operação precisa melhorar. Agendamento de caminhões, integração com ferrovias, disponibilidade de equipamentos, organização do pátio e troca antecipada de informações podem reduzir o tempo do navio sem exigir imediatamente a construção de novos berços.
Essa é uma mudança importante para o planejamento portuário. Quando o terminal melhora o uso dos ativos existentes, a capacidade pode crescer antes mesmo de uma grande obra de expansão. Por outro lado, se a carga permanece por muitos dias no pátio ou se os acessos terrestres não funcionam, a produtividade do cais encontra rapidamente um limite.
Os portos continuarão divulgando recordes de toneladas e TEUs, pois esses volumes demonstram sua dimensão econômica. Entretanto, a medida que melhor revela a qualidade da operação pode ser mais simples: quanto tempo cada navio precisou permanecer ali para concluir sua escala.
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Categoria editorial: 2.Portos, Terminais & Logística