
Náutica ensina navegação. Máquinas ensina sistemas e engenharia. Mas chega um momento na carreira em que o conhecimento técnico deixa de ser suficiente.
O profissional começa a liderar pessoas.
Um oficial pode conhecer profundamente os equipamentos de seu departamento e ainda encontrar dificuldade para dar uma orientação, corrigir um subordinado, administrar um conflito ou perceber que alguém da equipe está com problemas.
O desafio aumenta porque liderança a bordo ocorre dentro de uma estrutura particular. Existe hierarquia clara, responsabilidades legais e situações nas quais decisões precisam ser tomadas rapidamente. Ao mesmo tempo, a tripulação contemporânea pode reunir diferentes gerações, formações culturais e níveis de experiência.
Comandar não significa simplesmente falar mais alto.
Uma ordem precisa ser compreendida. Uma equipe precisa saber o que se espera dela. E um profissional subordinado precisa ter espaço suficiente para alertar quando percebe algo que o superior talvez não tenha visto.
Essa última característica é especialmente importante no ambiente marítimo. A autoridade do comandante não diminui porque um oficial questionou uma informação relevante para a segurança. Ao contrário, uma organização madura precisa permitir que informação importante consiga subir pela hierarquia.
A liderança também aparece nos momentos menos dramáticos.
Está na maneira de receber um praticante em seu primeiro embarque, explicar um erro sem humilhar, distribuir tarefas, reconhecer competência e criar condições para que o próximo profissional seja melhor do que aquele que o ensinou.
É nesse ponto que formação técnica e formação humana se encontram.
O jovem oficial passa anos aprendendo a conduzir um navio ou suas máquinas. Mais cedo ou mais tarde, descobrirá que uma das coisas mais complexas que terá de conduzir é uma equipe.
E nenhuma delas vem acompanhada de manual completo.
imagem: www.correiobraziliense.com.br
Categoria: 7.Pessoas, Formação & Vida no Mar