
O minério-petroleiro Jurupema seguia do Golfo Pérsico para o Brasil quando uma outra viagem, a do mercante Sundance, se transformou em uma emergência. Os náufragos estavam em balsas infláveis, sujeitos a um mar que tornava difícil até a aproximação de quem viesse socorrê-los. Foi nesse cenário que o Capitão-de-Longo-Curso Luiz Augusto Cardoso Ventura conduziu o navio brasileiro ao resgate, em um episódio retomado pelo CCMM na edição de julho de 2017 de O Sextante.
Segundo o Capitão-de-Longo-Curso Alberto Pereira de Aquino, autor do artigo O salvamento no mar, a operação ocorreu ao largo do Golfo de Aden, sob mau tempo muito intenso. Seu texto situa as condições entre os graus 9 e 10 da escala Beaufort e descreve os sobreviventes à mercê de ondas grandes e revoltas. O Comandante Ventura conseguiu recolhê-los, fazendo do Jurupema um ponto de chegada para pessoas cuja própria embarcação já não lhes oferecia abrigo.
O Capitão Aquino inseriu esse resgate em uma sequência de histórias de assistência no mar, algumas ocorridas durante guerras e outras em tempo de paz. A escolha aproximava épocas diferentes por uma responsabilidade comum: a vida de quem pede socorro passa a fazer parte das decisões de quem comanda um navio. No caso do Jurupema, essa responsabilidade precisou ser exercida com o mau tempo presente, e não depois de sua passagem.
Na mesma edição, o presidente do CCMM, Capitão-de-Longo-Curso Álvaro José de Almeida Júnior, evocou a atuação do Comandante Ventura em uma reflexão sobre solidariedade entre os marítimos. A história serviu de ponto de partida para pedir atenção também aos colegas idosos, enfermos ou solitários em terra. Assim, o resgate ganhou dois lugares na memória da entidade: o de uma operação marítima bem-sucedida e o de um exemplo usado para aproximar companheiros, mesmo quando já não estavam reunidos a bordo.
imagem: centrodoscapitaes.org.br
Fonte: O Sextante, ano 2, nº 10, 9 de fevereiro de 2018, p. 1. Relato Relembrando um herói, do CLC Álvaro José de Almeida Júnior.