O barco sem tripulação que inspecionou estruturas offshore por 330 dias

por CCMM_news_gp

Uma embarcação não tripulada, controlada por equipes em terra, passou 330 dias apoiando inspeções submarinas no Brasil. A operação usou o USV Vaquita e um robô submarino elétrico para examinar estruturas e equipamentos ligados à produção de petróleo, sem levar trabalhadores a bordo para essas tarefas.

A campanha foi realizada pela Fugro para a Petrobras, segundo a empresa.

“Sem tripulação”, porém, não significa que o barco trabalhou sozinho: o Vaquita é um veículo de superfície não tripulado, ou USV; o robô elétrico, chamado eROV, é operado remotamente. As equipes acompanharam a missão do Centro de Operações Remotas da Fugro, em Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro, com a distância entre a embarcação e os operadores mudando a cada local de trabalho, mas não eliminando o trabalho humano.

Durante a campanha, o sistema realizou inspeções visuais de cascos, jaquetas e equipamentos submarinos, fez medições de proteção catódica e executou limpezas leves, chegando a profundidades de até 250 metros. Essas tarefas ajudam a avaliar a integridade das instalações e a identificar sinais de desgaste ou danos.

A Fugro informa que, até janeiro de 2026, a operação havia somado 46 trabalhos, retirado 15.400 horas de exposição de profissionais no ambiente offshore e evitado 4.050 toneladas de emissões de CO₂. São resultados divulgados pela própria empresa, que não detalha na página do projeto a metodologia usada para calcular as emissões evitadas. A companhia também relata limitações operacionais, incluindo a velocidade de deslocamento do Vaquita, o tempo necessário nos portos e ferramentas ainda indisponíveis para o robô.

A experiência chama atenção por aproximar duas frentes da operação marítima: a inspeção submarina e o controle a partir de terra. Segundo a Fugro, foi a primeira operação desse tipo nas Américas e afirma ainda que o modelo pode ampliar o acesso de profissionais com deficiência a atividades que antes exigiam presença embarcada. Esse potencial dependerá das funções que possam ser realizadas remotamente e da formação necessária para exercê-las.

O caso aponta para uma mudança na organização do trabalho offshore: algumas tarefas de inspeção podem ser executadas com menos pessoas expostas diretamente às condições do mar.

Para o setor, o próximo passo será entender onde esse arranjo é adequado, quais atividades ainda exigem embarcações tripuladas e como comparar seus custos, emissões e resultados de segurança com os métodos convencionais.

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Categoria: Offshore & Energia no Mar

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