
Em 27 de fevereiro de 2016, no início de seu comando no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, o Capitão de Mar e Guerra (RM1) Fábio da Silva Andrade visitou o NT Oscar Niemeyer, então um dos mais novos gaseiros da frota brasileira. A bordo, conheceu o passadiço e a praça de máquinas e almoçou com a tripulação. A visita aproximou o comandante de uma realidade que estava no centro de sua missão no CIABA: preparar profissionais para trabalhar em navios, em contato direto com as exigências e responsabilidades da vida no mar.
O Comandante Fábio esteve à frente do CIABA de 15 de janeiro de 2016 a 18 de janeiro de 2018. A instituição, sediada em Belém, tem raízes na antiga Escola de Marinha Mercante do Pará, criada no século XIX, e mantém um papel histórico na formação de profissionais para a Marinha Mercante brasileira. Em 2017, durante seu comando, o Centro celebrou 125 anos de atividades. A cerimônia comemorativa reuniu autoridades, antigos comandantes e representantes da comunidade marítima em torno de uma história que atravessa gerações e continua presente na formação de novas tripulações.
Essa missão de formar se expressava também na modernização do ensino. Em maio de 2016, durante visita técnica da Diretoria de Portos e Costas, o Comandante Fábio apresentou o Centro de Simuladores do CIABA, inaugurado em 2013. A estrutura reunia três sistemas de treinamento, com modelos de navios e portos nacionais e estrangeiros, incluindo um passadiço do tipo Full Mission para o treinamento avançado de tripulações. O uso desses recursos permitia aproximar o aprendizado de situações de navegação e operação, preparando os alunos para decisões que, a bordo, envolvem segurança, coordenação e domínio técnico.
Antes de assumir o CIABA, serviu no Estado-Maior da Armada, em Brasília, como ajudante da Divisão de Assuntos Marítimos e Ambientais. Anos depois, voltou a atuar em uma instância federal ligada diretamente à atividade portuária: em 2019, foi designado representante titular da Marinha na Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis, a Conportos, permanecendo nessa representação até 2021. Essa passagem por Brasília acrescenta uma dimensão importante à sua trajetória, conectando o trabalho de formação no CIABA às discussões institucionais sobre segurança marítima e portuária.
A cabotagem foi outro tema ao qual dedicou estudo e reflexão. Em 2018, ao concluir o Curso de Política e Estratégia Marítimas da Escola de Guerra Naval, o Comandante apresentou a tese Marinha Mercante Brasileira: óbices e perspectivas de crescimento e, para desenvolver a pesquisa, consultou empresas de navegação do segmento e órgãos reguladores e fiscalizadores. O trabalho examinou barreiras ao crescimento da cabotagem, a integração com outros modais, a necessidade de instrumentos regulatórios e de incentivo e a importância da formação de recursos humanos. Também situou a navegação mercante no contexto do desenvolvimento socioeconômico e do fortalecimento do Poder Marítimo e da Defesa Nacional. Nos agradecimentos, o Capitão registrou o apoio da esposa, Mariane, e dos filhos, Fabrício e Fabiane, durante a realização do estudo.
A visita ao NT Oscar Niemeyer, a condução de uma instituição centenária, o trabalho em assuntos marítimos no Estado-Maior e na Conportos e a pesquisa sobre cabotagem revelam diferentes dimensões de uma mesma trajetória.
O Capitão de Mar e Guerra Fábio da Silva Andrade atuou junto às pessoas que se preparam para o mar e em espaços onde se discutem as condições para que a atividade marítima brasileira avance com segurança e capacidade própria. São contribuições que aproximam formação, experiência naval e pensamento estratégico sobre o futuro da Marinha Mercante.
imagem: portaldanavegacao.com/IA