
Em 1987, Renato Ramos Diniz ainda era aluno do segundo ano da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante quando visitou o navio-tanque Araxá com outros estudantes. Anos depois, voltaria a navegar como comandante. A distância entre essas duas imagens ajuda a dimensionar uma trajetória que, em outubro de 2026, alcançou uma marca especial: 8.000 dias efetivamente embarcado.
O Capitão de Longo Curso e Comodoro Renato Ramos Diniz dedicou 38 anos de sua vida à atividade na Marinha Mercante. Os 8.000 dias correspondem a quase 22 anos acumulados a bordo. É tempo vivido em viagens, operações e períodos longe de casa, numa profissão em que cada chegada a um porto depende do trabalho de toda a tripulação.
A relação entre experiência e reflexão aparece também em sua formação: em 2010, durante o Curso de Política e Estratégia Marítimas da Escola de Guerra Naval, apresentou a monografia “Poder Marítimo: breves considerações”. O estudo abordou a importância da Marinha Mercante, da indústria naval e da mentalidade marítima para o Brasil e Capitão Renato dedicou o trabalho à Marinha Mercante Brasileira e agradeceu à esposa e aos filhos, aos pais e ao Comodoro Guarabira, que lhe ensinou “a arte de comandar”.
Dois anos depois, essa reflexão ganhou forma no comando do navio de produtos Sérgio Buarque de Holanda, construído no Estaleiro Mauá, em Niterói, recebido pela Transpetro em 2012, com 183 metros de comprimento e capacidade para transportar cerca de 48 mil toneladas de porte bruto. Sob o comando do Capitão Diniz, atracou pela primeira vez no Porto do Itaqui, no Maranhão, antes de seguir para Paranaguá com uma carga de diesel. Era um navio construído no Brasil, conduzido por uma tripulação brasileira e integrado ao transporte de produtos pelo país.
Em 2019, a Diretoria de Portos e Costas concedeu ao Capitão de Longo Curso Renato Ramos Diniz o Distintivo de Comodoro, em reconhecimento aos serviços prestados à Marinha Mercante Brasileira.
Em 2021, ao escrever sobre a própria família, definiu-se como marítimo de segunda geração e apontou o filho como integrante da terceira. Naquele período, registrava 34 anos de atividade marítima. A experiência pessoal aparecia também na maneira como falava dos profissionais que trabalham longe dos olhos de quem está em terra. Em uma mensagem pelo Dia da Marinha Mercante, chamou-os de “heróis e heroínas desconhecidos, cujo trabalho se reflete no cotidiano de muitos”.
Ser reconhecido como Comodoro, porém, não marcou o fim de sua vida embarcada. Em 2022, no navio-tanque Marcílio Dias, ele e a tripulação celebraram o Bicentenário da Independência enquanto navegavam pelo Atlântico Sul, a caminho de Singapura e da China. Registros posteriores o mostram ainda no comando, inclusive em viagem pelo Pacífico após a passagem pelo Estreito de Magalhães e, em 2024, na costa brasileira, na região dos Abrolhos.
Em sua monografia, escreveu que “dar as costas para as coisas do mar é dar as costas para o futuro”. Depois de 8.000 dias embarcado, essa frase ganha o peso de uma convicção formada no estudo, mas também nas viagens.
Para o Comodoro Renato Diniz, o mar foi tema de pesquisa, espaço de comando e parte central de uma vida dedicada à Marinha Mercante.
imagem: portaldanavegacao.com/IA