
Novos terminais serão construídos na costa oriental dos Emirados Árabes Unidos e conectados por terra à rede logística de Jebel Ali.
A DP World anunciou a implantação de dois novos terminais em Fujairah, na costa oriental dos Emirados Árabes Unidos. A localização é o elemento central do projeto: diferentemente de Jebel Ali e de outros grandes portos do Golfo Pérsico, Fujairah está voltada diretamente para o Golfo de Omã, fora do Estreito de Ormuz.
O estreito é uma das passagens marítimas mais sensíveis do mundo e concentra parcela expressiva das exportações de petróleo e gás da região. As restrições recentes à navegação mostraram que a dependência de um único acesso marítimo também representa uma vulnerabilidade para alimentos, medicamentos, produtos industriais e cargas conteinerizadas.
O projeto será desenvolvido por meio de uma concessão de 50 anos firmada com a autoridade portuária local. O Terminal de Al Rugaylat deverá movimentar até 2,5 milhões de TEUs por ano, além de 1,7 milhão de toneladas de carga geral e aproximadamente 190 mil unidades equivalentes de veículos. O Terminal de Carga Geral de Dibba acrescentará capacidade anual de 3,6 milhões de toneladas.
Com os novos empreendimentos, a capacidade de contêineres da DP World nos Emirados deverá passar dos atuais 19,4 milhões para quase 22 milhões de TEUs. A construção será realizada em etapas, ao longo de aproximadamente 24 a 30 meses.
A proposta não é substituir Jebel Ali. A operadora pretende conectar Fujairah ao seu principal complexo portuário por uma rede logística terrestre. Dessa maneira, cargas desembarcadas fora do estreito poderão ser distribuídas para destinos internos ou transferidas para outros pontos da rede.
Essa combinação de porto e corredor terrestre cria uma forma de redundância logística. Se uma passagem marítima estiver limitada, parte do fluxo pode ser redirecionada para uma instalação localizada do outro lado do obstáculo. O princípio é semelhante ao utilizado em corredores que conectam portos de diferentes costas ou evitam canais sujeitos a congestionamento.
A iniciativa também mostra que os investimentos portuários passaram a incorporar cenários geopolíticos ao planejamento de capacidade. Profundidade, cais e equipamentos continuam essenciais, mas a localização de um terminal em relação a estreitos, canais e áreas de conflito pode determinar seu valor estratégico.
Fujairah já exerce papel importante no armazenamento e abastecimento de combustíveis. Com a nova capacidade para contêineres, veículos e carga geral, poderá ampliar sua atuação como porta de entrada alternativa para os Emirados e como ponto de conexão entre o Oceano Índico e as redes logísticas do Golfo.
O projeto transforma uma resposta a uma crise em infraestrutura de longo prazo. Mesmo que a navegação pelo Estreito de Ormuz seja normalizada, a possibilidade de operar por duas frentes permanecerá como vantagem logística para o país e para os usuários dos terminais.
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Categoria editorial: 2.Portos, Terminais & Logística