A nova exploração offshore começa pela revisão de dados antigos

por CCMM

Projeto canadense utilizará processamento avançado para revelar detalhes do subsolo sem realizar imediatamente uma nova campanha sísmica.

Antes de perfurar um poço em águas profundas, empresas de energia precisam reduzir o máximo possível as incertezas sobre o que existe sob o fundo do mar. Uma decisão equivocada pode representar centenas de milhões de dólares em custos. Por isso, parte da atual transformação da exploração offshore não ocorre nas plataformas, mas nos centros de processamento de dados.

A TGS iniciou uma nova etapa de reprocessamento sísmico na Bacia de Orphan, diante da costa de Newfoundland e Labrador, no Canadá. O projeto abrange aproximadamente 13.300 quilômetros quadrados de dados tridimensionais já adquiridos, que serão submetidos a métodos mais recentes de imageamento em profundidade.

Entre as técnicas utilizadas está a inversão da forma de onda completa, conhecida pela sigla inglesa FWI. Em termos simplificados, o método compara os sinais sísmicos observados com modelos digitais do subsolo e ajusta repetidamente esses modelos até produzir uma representação mais coerente das estruturas geológicas.

O objetivo é melhorar a definição de camadas dos períodos Cretáceo e Jurássico, identificar estruturas complexas e oferecer maior segurança na avaliação de possíveis reservatórios. Os primeiros produtos deverão estar disponíveis em 2027, enquanto os volumes finais estão previstos para o terceiro trimestre daquele ano.

Reprocessar dados não significa simplesmente ampliar uma imagem antiga. Algoritmos mais avançados, maior capacidade computacional e novos conhecimentos geológicos podem revelar estruturas que não apareciam com clareza quando o levantamento original foi realizado. Dessa maneira, informações coletadas por navios sísmicos há alguns anos adquirem um novo valor econômico.

Essa abordagem pode reduzir a necessidade de repetir imediatamente campanhas extensas de aquisição, embora novos levantamentos continuem necessários em muitas áreas. Também permite que governos e operadores compreendam melhor o potencial de uma bacia antes de oferecer blocos, contratar sondas ou assumir compromissos de perfuração.

O movimento interessa especialmente a regiões de fronteira exploratória, nas quais a escassez de informações eleva o risco dos investimentos. Também evidencia que a competitividade offshore depende cada vez mais da combinação entre conhecimento geológico, processamento de alto desempenho e experiência operacional.

No futuro, a primeira grande decisão de uma campanha marítima poderá ser tomada muito antes da mobilização de uma embarcação. Ela começará com a releitura de sinais produzidos no passado, interpretados por ferramentas que agora conseguem enxergar o subsolo com uma precisão que não existia quando os dados foram coletados.

imagem: pt.oedigital.com

Categoria editorial: 4.Offshore & Energia no Mar

Voce também pode gostar