Excesso de navios ameaça devolver o transporte de contêineres às margens estreitas

por CCMM News

A chegada de novas embarcações e o encurtamento de algumas rotas ampliam a capacidade disponível, mesmo com a demanda mundial ainda apresentando crescimento.

Durante os períodos de congestionamento logístico, os navios porta-contêineres pareciam insuficientes para atender ao comércio mundial. Os fretes subiram, embarcações antigas permaneceram em atividade e os armadores encomendaram uma quantidade elevada de novos navios. Agora, parte dessa capacidade começa a chegar ao mercado em um momento no qual o crescimento da demanda já não acompanha o mesmo ritmo.

A Maersk estima que as entregas programadas poderão aumentar em aproximadamente 5% a capacidade mundial de transporte de contêineres ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, o eventual retorno de serviços às rotas mais curtas entre a Ásia e a Europa poderá liberar entre 6% e 7% da capacidade global atualmente absorvida por viagens mais longas.

Quando um navio precisa contornar o continente africano, permanece mais tempo ocupado e reduz a oferta disponível. Se a travessia por Suez for normalizada, a mesma embarcação completará mais viagens durante o ano. Essa eficiência beneficia os embarcadores, mas também acrescenta capacidade ao mercado e pressiona os preços dos fretes.

O problema é agravado pela baixa retirada de navios antigos. Muitas companhias esperavam que o aumento das demolições compensasse a entrada das novas construções. A Maersk, porém, decidiu prolongar de 20 para 25 anos a vida operacional de parte de seus porta-contêineres, preservando uma capacidade que poderia ter deixado o mercado.

A própria empresa projeta para 2026 um resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização entre US$ 4,5 bilhões e US$ 7 bilhões, bem abaixo dos US$ 9,53 bilhões registrados em 2025. A CMA CGM também advertiu que a combinação entre novas entregas, menor dinamismo da demanda e normalização das rotas poderia tornar o ano mais difícil para as companhias de navegação.

Esse cenário não significa necessariamente ausência de carga. A demanda global permanece relativamente firme, mas o transporte marítimo é determinado pela relação entre carga disponível e espaço oferecido. Quando a frota cresce mais rapidamente, a competição por cada contêiner aumenta e os fretes tendem a cair.

Para os embarcadores, a maior oferta pode resultar em preços mais baixos e melhor disponibilidade de espaço. Para os armadores, exige controle de custos, reorganização de serviços, redução de velocidade, suspensão de viagens e eventual retirada de embarcações. Também poderá estimular novas alianças operacionais, pois compartilhar navios ajuda a manter frequências regulares sem utilizar capacidade desnecessária.

O mercado de contêineres entra, portanto, em uma fase na qual o desafio não será encontrar navios, mas administrar o excesso deles. A rentabilidade dependerá menos da expansão da frota e mais da disciplina com que as empresas ajustarem seus serviços à demanda real.

imagem: zhhmarinefender.com

Categoria editorial: 5.Economia, Mercados & Comércio Marítimo

Voce também pode gostar