CLC Luana Marchiori Soares: do comando offshore à formação de novos marítimos

por admin

Há uma geração de oficiais da Marinha Mercante brasileira cuja carreira se desenvolveu junto com o crescimento de uma atividade extremamente especializada: o apoio marítimo à indústria offshore.

A Capitã de Longo Curso Luana Marchiori Soares faz parte dessa geração. Mas sua trajetória ganhou uma característica adicional. Depois de acumular experiência em operações complexas no mar e chegar ao comando, ela passou a transformar aquilo que aprendeu a bordo em conhecimento para outros profissionais.

Luana ingressou na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante em 2002. A partir daí construiu uma carreira de mais de duas décadas no setor marítimo, com forte atuação nas operações offshore.

É um segmento muito particular da navegação.

Quem vê um navio de apoio offshore atracado talvez não perceba o nível de especialização exigido quando ele começa a trabalhar. Aproximações de plataformas, posicionamento dinâmico, manuseio de âncoras, lançamento de equipamentos e operações submarinas colocam navio, máquinas e tripulação diante de situações nas quais precisão e segurança precisam caminhar juntas.

Luana viveu esse ambiente no passadiço.

Um dos registros de sua carreira aparece em documentação internacional do grupo DOF. Em publicação institucional da companhia referente a 2017, ela é identificada como comandante do Skandi Angra.

O navio também seria cenário de uma operação que ajuda a dimensionar o tipo de trabalho realizado por essas embarcações.

Em 2018, na Bacia de Santos, Luana comandava a tripulação do Skandi Angra durante o lançamento de um torpedo de 120 toneladas. Anos depois, ao recordar a operação, fez questão de atribuir o resultado à sua tripulação.

Essa pequena observação diz bastante sobre comando.

O comandante ocupa a posição de maior responsabilidade a bordo, mas nenhum navio é operado por uma pessoa. Quanto mais complexa a operação, maior a dependência de comunicação, treinamento, coordenação e confiança entre aqueles que trabalham no passadiço, no convés e nas máquinas.

A própria formação de Luana avançou justamente sobre uma dessas especialidades. No Curso de Aperfeiçoamento para Oficiais de Náutica, no Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, o CIAGA, produziu uma monografia dedicada às tecnologias das embarcações de manuseio de âncoras. O trabalho teve como orientador o CLC Paulo Roberto Carvalho Falcão.

Com o passar dos anos, aquela experiência acumulada no mar começou a seguir outro caminho.

Luana tornou-se instrutora.

E não de assuntos distantes de sua experiência profissional.

Passou a trabalhar justamente com áreas como posicionamento dinâmico, ship handling, gerenciamento de recursos do passadiço e manuseio de âncoras, levando para simuladores e salas de treinamento situações que havia conhecido no ambiente real de operação.

A Diretoria de Portos e Costas registra Luana Marchiori Soares entre os instrutores credenciados do Ensino Profissional Marítimo, na disciplina Gerenciamento de Recursos do Passadiço.

Também exerceu a função de gerente técnica da Vision Marine Nautical Training Center. Em encontro internacional promovido pelo The Nautical Institute, foi escolhida para falar sobre liderança eficaz e sua relação com a segurança operacional. A apresentação fazia sentido para alguém que havia exercido liderança não apenas dentro de uma organização em terra, mas também no comando de embarcações.

Em março de 2024, apareceu novamente representando a formação marítima brasileira em um encontro regional sul-americano da International Marine Contractors Association, a IMCA. Na programação, a Capitã Luana Marchiori participou em nome da Vision Marine Training de uma apresentação relacionada às pessoas e à força de trabalho do setor, dentro da participação do Nautical Institute.

Sua ligação com o setor marítimo institucional também chegou ao Centro dos Capitães da Marinha Mercante.

Luana atua no CCMM como Diretora de Operações Offshore. Em encontro realizado pelo Centro com o Vice-Almirante Wilson Pereira de Lima Filho, então diretor da ANTAQ, chamou atenção justamente para a importância do apoio marítimo, atividade que classificou como um dos pilares da Marinha Mercante brasileira.

Há uma coerência interessante nessa trajetória.

Primeiro veio a formação.

Depois, o embarque.

Vieram as operações offshore, o posicionamento dinâmico, o manuseio de âncoras e a responsabilidade pelo comando.

Mais tarde, chegou o momento de ensinar.

Para uma profissão como a Marinha Mercante, isso possui um significado especial. Muito do que faz um bom oficial não está apenas nos manuais. Está na experiência acumulada diante de situações reais, nas decisões tomadas quando as condições mudam e na capacidade de compreender o comportamento de um navio antes mesmo que alguma coisa saia do lugar.

Simuladores modernos conseguem reproduzir navios, equipamentos, mar, vento, corrente e falhas.

Mas alguém precisa ensinar o que fazer diante deles.

É nesse ponto que as duas partes da carreira de Luana Marchiori se encontram.

A comandante que aprendeu fazendo passou a ensinar aquilo que viveu.

E assim uma experiência construída durante mais de vinte anos no setor marítimo continua embarcando, agora nas carreiras de outros oficiais.

imagem: https://www.linkedin.com/in/luana-marchiori-9ab57a1b/recent-activity/images/

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