CLC Horácio Alberto Duarte: entre o comando, a formação e a vela

por CCMM_gp

Há profissionais para quem a relação com o mar não termina quando acaba uma viagem. Ela reaparece em outras atividades, muda de forma e continua presente na maneira de trabalhar, ensinar e participar da comunidade marítima. A trajetória do Capitão de Longo Curso Horácio Alberto Duarte oferece um exemplo interessante dessa continuidade.

O Capitão Horácio construiu sua formação náutica na Escuela Naval de Montevideo, no Uruguai, e desenvolveu sua carreira profissional no ambiente marítimo, chegando à categoria de Capitão de Longo Curso. Registros profissionais mais recentes também o relacionam à área offshore, incluindo atuação na Aqualis Offshore.

Mas existe outra parte de sua vida ligada ao mar que ajuda a revelar melhor o personagem: a vela.

Não se trata, no caso do Capitão Horácio, apenas de uma atividade ocasional. Ele veleja desde criança e levou essa experiência para a organização e a arbitragem de competições. A Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro o registra como Oficial de Regata Nacional, função que exige conhecimento das regras, capacidade de condução das provas e experiência para administrar situações que podem mudar rapidamente sobre a água.

Essa ligação chegou também à formação dos futuros oficiais da Marinha Mercante.

Em 2015, durante a 43ª Regata a Vela do CIAGA, o Capitão Horácio explicou aos alunos por que considerava a vela particularmente importante para um Oficial de Náutica. Para ele, velejar desenvolve uma sensibilidade que outras embarcações não oferecem e permite ao navegante perceber de maneira muito direta os efeitos do vento, da corrente e do comportamento da embarcação.

Dois anos depois, seu nome voltou a aparecer nas competições da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante. Durante a XL MercNav, em 2017, esteve novamente envolvido com a regata, prestando apoio e atuando como juiz.

Sua experiência na arbitragem alcançou ainda um dos maiores eventos esportivos realizados no Brasil. Na documentação oficial dos Jogos Paralímpicos Rio 2016, Horácio Alberto Duarte aparece relacionado entre os oficiais envolvidos nas competições de vela. Era outro ambiente, com regras esportivas internacionais e enorme estrutura de organização, mas novamente o mar e a navegação estavam presentes.

A ligação com a vela também se desenvolveu dentro dos clubes náuticos. Registros do Praia Clube São Francisco, em Niterói, identificam o Capitão Horácio como Subdiretor de Náutica, enquanto a Federação de Vela do Estado do Rio de Janeiro registra sua participação como velejador da classe Dingue pelo mesmo clube.

Existe, porém, uma terceira dimensão importante em sua trajetória: o Centro dos Capitães da Marinha Mercante.

O Capitão Horácio integrou a direção do CCMM como Diretor Administrativo. Uma edição de 2020 da Revista Eletrônica do Centro registra seu nome nessa função, ao lado do então presidente, CLC Álvaro José de Almeida Júnior, e do vice-presidente, CLC Plínio Rodrigues Calenzo. Naquele período particularmente difícil, marcado pela pandemia de Covid-19 e pela interrupção das atividades presenciais, coube também ao Diretor Administrativo comunicar aos associados a manutenção do funcionamento da Secretaria em regime remoto.

À primeira vista, comandar, trabalhar no setor offshore, participar da administração do CCMM e atuar na vela competitiva podem parecer atividades independentes.

Para um homem do mar, talvez estejam muito mais próximas.

A vela obriga a observar. Uma pequena mudança de vento altera uma decisão. Uma corrente pouco percebida modifica o caminho. O barco responde às escolhas de quem o conduz e deixa evidente, quase imediatamente, quando uma delas foi errada.

No passadiço de um navio mercante, as dimensões são outras e a tecnologia é incomparavelmente maior, mas a capacidade de observar o ambiente, antecipar situações e decidir continua fazendo parte da profissão.

É por isso que a presença do Capitão Horácio nas regatas do CIAGA possui um significado que ultrapassa a competição esportiva. Um Capitão de Longo Curso que volta ao ambiente de formação para transmitir aos jovens oficiais aquilo que aprendeu no mar ajuda a preservar uma das características mais antigas da profissão marítima: conhecimento também se transmite de uma geração para outra.

Na trajetória do CLC Horácio Alberto Duarte, o navio, a vela e o Centro dos Capitães acabam se encontrando nesse mesmo ponto.

O mar deixou de ser apenas o lugar onde exerceu uma profissão.

Continuou sendo parte de sua vida.

imagem: ccmm_instagram/IA

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