Conhecimento de embarque avança para o digital

por CCMM news_gp

Um dos documentos mais tradicionais do transporte marítimo está avançando definitivamente para o ambiente digital. A BIMCO atualizou seu padrão aberto para o conhecimento de embarque eletrônico, o eBL, numa iniciativa destinada a facilitar a troca de informações entre os diferentes sistemas utilizados no comércio internacional.

O conhecimento de embarque acompanha a navegação comercial há gerações e continua tendo papel fundamental na relação entre embarcadores, transportadores, compradores, bancos e seguradoras. A passagem do documento físico para o eletrônico, portanto, envolve muito mais do que eliminar algumas folhas de papel.

A nova versão do padrão da BIMCO foi desenvolvida especialmente para o transporte marítimo de granéis e estabelece uma estrutura comum composta por 36 campos de dados. A intenção é fazer com que as informações essenciais de um conhecimento de embarque possam ser reconhecidas e processadas de maneira padronizada por diferentes plataformas.

Esse ponto é particularmente importante porque a digitalização do comércio marítimo avançou por caminhos distintos. Empresas, bancos e operadores passaram a utilizar diferentes soluções tecnológicas, criando o risco de substituir a circulação física de documentos por sistemas digitais que não conseguem conversar adequadamente entre si.

É justamente aí que entra a interoperabilidade. Um padrão comum permite que os dados possam circular entre diferentes participantes da operação sem a necessidade de reconstruir ou redigitar repetidamente as mesmas informações. Para um setor global, no qual uma única carga pode envolver empresas e instituições localizadas em vários países, essa compatibilidade tem impacto direto sobre a eficiência da operação.

Segundo a BIMCO, a atualização também foi preparada para manter familiaridade com o conhecimento de embarque tradicional, facilitando a transição de empresas e profissionais acostumados ao documento em papel. O padrão está alinhado ao UN/CEFACT e preparado para a ISO 5909, norma internacional publicada em 2026 para processos e intercâmbio de dados relacionados ao conhecimento de embarque eletrônico.

Os efeitos podem alcançar diferentes etapas da cadeia logística. Documentos digitais podem acelerar o processamento das operações, reduzir a circulação física de originais e facilitar a integração com bancos e outros participantes do comércio exterior.

A dimensão dessa mudança aparece quando se observa o volume documental envolvido no setor. Mais de 45 milhões de conhecimentos de embarque em papel são trocados fisicamente todos os anos no comércio mundial, segundo informações divulgadas neste mês pela Global Shipping Business Network em colaboração com a BIMCO.

A substituição desse fluxo por documentos eletrônicos, entretanto, depende de confiança jurídica, segurança dos sistemas e aceitação pelos diferentes participantes. Não basta digitalizar o documento. É necessário garantir que ele preserve suas funções comerciais e jurídicas e possa circular de maneira segura entre empresas, autoridades e instituições financeiras.

O conhecimento de embarque eletrônico mostra, assim, uma transformação silenciosa que está acontecendo no transporte marítimo. Enquanto novos combustíveis e sistemas de propulsão modificam os navios, a digitalização também começa a alterar profundamente a maneira como a carga é documentada e movimentada pelo comércio internacional.

imagem: https://cdn-site.fazcomex.com.br

Categoria: 2.Portos & Logística

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