
O Dia Marítimo Mundial de 2026, celebrado nesta quinta-feira, 24 de setembro, colocou em discussão uma questão que acompanha há décadas o transporte marítimo internacional: criar uma regra é apenas o começo. Para produzir resultados, ela precisa chegar efetivamente aos navios, portos, empresas, autoridades marítimas e, principalmente, aos profissionais que trabalham no mar.
A Organização Marítima Internacional escolheu para 2026 e 2027 o tema “From Policy to Practice: Powering Maritime Excellence”, que pode ser entendido como a passagem da política para a prática na busca de melhores padrões para o setor marítimo. Pela primeira vez, o tema do Dia Marítimo Mundial será mantido durante dois anos.
A escolha acontece num momento particularmente delicado. Navios mercantes vêm sendo atingidos em diferentes áreas de conflito, incluindo o Estreito de Ormuz, o Mar Negro e o Mar de Azov. Além das consequências para o comércio e para as cadeias internacionais de abastecimento, dezenas de marítimos perderam a vida nesses episódios.
Nesse cenário, a IMO chama atenção para a necessidade de transformar convenções, códigos e decisões internacionais em medidas capazes de produzir resultados no cotidiano da navegação. Isso significa incorporar normas às legislações nacionais, fiscalizar seu cumprimento, capacitar profissionais e oferecer às administrações marítimas estrutura suficiente para executar suas responsabilidades.
O primeiro ciclo de auditorias realizado por meio do IMO Member State Audit Scheme, o IMSAS, ajuda a dimensionar o problema. Segundo a Organização, 168 Estados-Membros, equivalentes a 94% de seus integrantes, foram auditados quanto ao cumprimento das obrigações previstas nos principais instrumentos internacionais.
Os resultados mostraram que ainda existem dificuldades para transformar regras da IMO em legislação nacional e garantir sua aplicação. Entre os problemas identificados aparecem falta de conhecimento técnico, limitações de infraestrutura e fragilidades na fiscalização dos navios.
A discussão ganha importância porque a navegação está atravessando mudanças simultâneas. Novos combustíveis chegam aos navios, sistemas digitais avançam sobre operações e documentos, a segurança cibernética ganha espaço e a pressão pela descarbonização exige adaptações de empresas, governos e profissionais.
Nesse ambiente, uma regulamentação internacional só produz segurança quando consegue chegar ao passadiço, à praça de máquinas, ao terminal e às pessoas responsáveis pela operação.
A formação dos marítimos ocupa, portanto, posição central. O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, colocou os profissionais do mar no centro de sua mensagem deste ano ao defender que a implementação das regras precisa produzir resultados justamente onde eles são mais necessários: na proteção das pessoas que trabalham a bordo.
O Dia Marítimo Mundial de 2026 deixa, assim, uma questão bastante concreta para o setor. O transporte marítimo já possui uma extensa estrutura internacional de normas e convenções. O desafio agora é reduzir a distância entre aquilo que está escrito e aquilo que realmente acontece no mar.
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Categoria: 6.Segurança, Regulação & Meio Ambiente