SS UNITED STATES

por CCMM

No início dos anos 1950, atravessar o Atlântico a bordo de um grande transatlântico ainda significava elegância, prestígio e, principalmente, tempo. Quanto mais rápido um navio pudesse ligar a Europa aos Estados Unidos, maior seria sua reputação.

Foi nesse mundo que surgiu o SS United States. E ele não pretendia simplesmente participar da disputa. Pretendia encerrá-la.

Projetado pelo engenheiro naval William Francis Gibbs e construído em Newport News, na Virgínia, o navio entrou em serviço em 1952. Com 990 pés — cerca de 302 metros — de comprimento, era o maior navio de passageiros já construído nos Estados Unidos. Mas sua verdadeira obsessão não era o tamanho.

Era o peso.

Gibbs queria velocidade e, ao mesmo tempo, tinha uma preocupação quase obsessiva com incêndios. Por isso, enormes quantidades de alumínio substituíram materiais tradicionalmente empregados a bordo. Segundo a Maritime Administration dos Estados Unidos, essa opção representou uma redução estimada entre 8.000 e 10.000 toneladas.

Até os móveis seguiram essa filosofia. O Smithsonian registra que as estruturas das cerca de 22 mil peças de mobiliário eram de alumínio. Madeira era praticamente proibida. Gibbs chegou ao ponto de discutir o material utilizado nos pianos do navio.

Tudo tinha uma finalidade: tornar o United States leve, seguro e absurdamente rápido.

A resposta veio logo na primeira viagem.

Em julho de 1952, o novo transatlântico deixou Nova York rumo à Europa e atravessou o Atlântico no sentido leste em 3 dias, 10 horas e 40 minutos. Na viagem inaugural, estabeleceu recordes nos dois sentidos e conquistou o Blue Riband, distinção associada aos transatlânticos mais rápidos do Atlântico Norte.

Nos testes de mar, chegou a 38,32 nós. Seu desempenho era tão extraordinário que durante anos parte das características do projeto permaneceu em segredo.

Mas por trás dos salões, restaurantes e cabines existia outra particularidade. Embora fosse um navio de passageiros, havia sido concebido com participação do governo americano para poder, se necessário, ser rapidamente convertido em transporte de tropas. A capacidade prevista chegava a aproximadamente 14 mil militares. Essa conversão, entretanto, nunca precisou ser realizada.

Na vida civil, o United States tornou-se uma espécie de endereço flutuante da sociedade internacional. Presidentes, artistas, empresários e estrelas de cinema viajaram nele. Entre seus passageiros estiveram nomes como John F. Kennedy, Walt Disney, Salvador Dalí, Marlon Brando, Duke Ellington e Grace Kelly. Mais de um milhão de pessoas passaram por seus conveses durante sua carreira.

Só havia um adversário que nem mesmo seus poderosos motores conseguiriam derrotar.

O avião.

Durante os anos 1960, os jatos comerciais reduziram uma travessia oceânica de dias para horas. Não importava mais se um transatlântico conseguia ganhar algumas horas no Atlântico. O passageiro que realmente tivesse pressa simplesmente voava.

Em 1969, apenas 17 anos depois de entrar em serviço, o SS United States foi retirado da operação comercial.

É uma carreira surpreendentemente curta para um navio tão extraordinário.

Mas existe algo quase poético em sua história. Durante décadas, armadores haviam disputado quem conseguiria construir o transatlântico mais rápido. Quando finalmente apareceu uma embarcação capaz de levar essa ideia praticamente ao limite, a própria disputa estava chegando ao fim.

O SS United States venceu a corrida dos transatlânticos. O problema é que, naquele momento, a humanidade já começava outra corrida — pelo céu.

imagem: https://www.ssusc.org/history-the-glory-years

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