CLC Plínio Rodrigues Calenzo: Do passadiço à gestão da navegação

por CCMM

A trajetória do CLC Plínio Rodrigues Calenzo permite contar uma história diferente dentro da Marinha Mercante. Não apenas a de um homem que saiu da escola para o navio, mas a de um oficial que levou aquilo que aprendeu no mar para rebocadores, salvamento, gestão de frotas, criação de empresas e, mais tarde, para a representação dos próprios comandantes.

Calenzo formou-se em 1992 no Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, o CIAGA, no Rio de Janeiro.

Começou onde seria esperado para um jovem oficial de Náutica: embarcado.

Atuou como 2º Oficial e 1º Oficial de Náutica em navios-tanque. Era o início convencional de uma carreira que, pouco depois, seguiria por caminhos menos convencionais.

Vieram os rebocadores.

Calenzo passou a comandar rebocadores especiais empregados em operações de salvamento marítimo. A informação consta de depoimento profissional dado por ele próprio em 2019 para um trabalho da Escola de Guerra Naval.

Salvamento é uma atividade que muda bastante a perspectiva de quem está no comando.

O rebocador frequentemente entra em cena justamente quando alguma coisa deixou de acontecer como deveria. Uma embarcação sem propulsão, uma emergência, uma operação difícil ou uma situação em que tempo, potência, experiência e decisão precisam trabalhar juntos.

Depois do mar, veio a gestão em terra.

Na Wilson Sons, Calenzo exerceu funções de encarregado de tráfego marítimo, gerente de rebocadores, gerente de filial e gerente de frota. Era uma transição importante: o oficial que antes precisava administrar seu próprio navio passava a observar a operação de uma estrutura inteira.

Em 2007, assumiu no Brasil a gestão da operação da Smit, companhia internacional fortemente associada às atividades de rebocagem e salvamento marítimo.

Três anos depois, tomou uma decisão que mudaria novamente o rumo da carreira.

Em 2010, participou da criação da empresa brasileira de navegação Transmar. Em 2015, a companhia passou por uma fusão com grupo ligado à Maersk, e Calenzo exerceu funções de diretor, presidente e membro do conselho de acionistas. Esses episódios foram relatados pelo próprio comandante em entrevista acadêmica preservada no repositório da Escola de Guerra Naval.

A sequência é interessante.

2º Oficial.

1º Oficial.

Comandante de rebocador.

Gerente.

Gestor de empresa internacional.

Empresário de navegação.

Diretor e presidente.

São atividades bastante diferentes, mas existe um elemento comum entre todas elas: compreender como funciona uma operação marítima.

Essa experiência acabou encontrando outro destino no Centro dos Capitães da Marinha Mercante.

Em 2019, Calenzo ocupava a função de Diretor Procurador do CCMM. Anos depois, chegaria à presidência da entidade, passando a representar uma instituição cuja história se confunde com a própria história dos Capitães da Marinha Mercante brasileira.

Em 2021, seu nome apareceu entre os selecionados pela Escola Superior de Guerra para o Curso de Diplomacia de Defesa, identificado oficialmente como Capitão de Longo Curso e representante do Centro dos Capitães da Marinha Mercante.

A atividade institucional também o colocou diante de uma dimensão histórica da profissão.

Em cerimônia da Marinha do Brasil em memória dos mortos da Marinha em guerra, Calenzo, já como presidente do CCMM, falou sobre o fascínio exercido pelo mar e sua importância histórica para uma nação. Era uma solenidade particularmente simbólica para os mercantes: durante os grandes conflitos, homens e navios comerciais brasileiros também pagaram um preço elevado no mar.

É fácil olhar uma carreira como essa e enxergar apenas uma sucessão de cargos.

Talvez seja mais interessante enxergar as mudanças de perspectiva.

O jovem oficial aprende primeiro a cuidar de sua parte do navio. Depois precisa entender o navio inteiro. Quando chega à gestão, precisa compreender uma frota. Quando passa à administração de uma empresa, começa a enxergar também pessoas, contratos, clientes, custos e estratégia.

E quando chega à representação institucional, o objeto muda novamente.

Passa a ser a própria profissão.

Mais de três décadas depois de sair do CIAGA, Plínio Calenzo continua ligado à mesma atividade que escolheu em 1992.

Só mudou o tamanho do passadiço.

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