História da Marinha Mercante Brasileira: das origens a 1945

por CCMM

História da Marinha Mercante Brasileira, Volume I: 1822–1945, do CLC Alberto Pereira de Aquino, recupera mais de um século de uma história que raramente recebe o espaço correspondente à sua importância para o Brasil. O livro acompanha a formação e o desenvolvimento da navegação mercante brasileira desde a Independência até o final da Segunda Guerra Mundial, reunindo acontecimentos, empresas, embarcações e personagens que participaram da construção da atividade marítima nacional.

A obra foi publicada originalmente em 2007 e ganhou uma segunda edição, revista e atualizada, apresentada pelo Centro dos Capitães da Marinha Mercante (CCMM) em 2020. A Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha registra que os dois volumes produzidos por Aquino apresentam os diferentes ciclos de evolução, retrocesso e estagnação experimentados pela frota mercante brasileira ao longo de sua história.

Começar em 1822 não é apenas uma escolha cronológica. O Brasil que conquistava sua independência precisava estabelecer comunicações entre regiões separadas por enormes distâncias, transportar produtos e pessoas e manter relações comerciais com outros países. Em um território com milhares de quilômetros de litoral, a navegação tinha importância estratégica para a própria integração nacional.

Aquino conduz essa história por um período no qual o transporte marítimo passou por transformações extraordinárias. O mundo dos veleiros começou a dividir espaço com embarcações propulsionadas mecanicamente. O vapor alterou distâncias, tempos de viagem e regularidade das linhas. Mais tarde, novos sistemas de propulsão, cascos metálicos, comunicações e equipamentos de navegação mudariam novamente a relação do homem com o navio.

Ao mesmo tempo, desenvolvia-se uma estrutura empresarial para atender às necessidades brasileiras. Companhias de navegação surgiram, cresceram, desapareceram ou foram incorporadas por outras empresas. Portos ganharam importância e o transporte marítimo tornou-se parte indispensável do funcionamento econômico do país.

O livro ganha especial significado porque seu autor não observou esse universo apenas como pesquisador. Alberto Pereira de Aquino viveu profissionalmente a Marinha Mercante. Foi Segundo Piloto, Primeiro Piloto e Imediato, tendo servido em 12 navios da antiga Frota Nacional de Petroleiros, a FRONAPE. Posteriormente, atuou como técnico, professor e instrutor e participou da implantação do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha, o CIAGA. A própria Marinha registrou essa trajetória ao noticiar atividades do comandante relacionadas à preservação da terminologia e da memória marítimas.

Essa experiência ajuda a explicar o olhar dedicado à memória da profissão.

Ao avançar pelas primeiras décadas do século XX, a obra chega a um dos períodos mais dramáticos da história da navegação brasileira. Durante a Segunda Guerra Mundial, navios mercantes brasileiros foram atacados e afundados por submarinos do Eixo. Tripulantes e passageiros morreram e homens da Marinha Mercante passaram a conviver diretamente com os perigos de uma guerra que atravessava as rotas comerciais.

O conflito mostrou de maneira brutal algo que muitas vezes é esquecido em tempos de paz: uma Marinha Mercante não representa apenas atividade econômica. Ela também possui importância estratégica para um país.

Quando o primeiro volume termina, em 1945, a navegação mundial estava prestes a entrar em uma nova época. O transporte marítimo seria profundamente transformado nas décadas seguintes, assim como a indústria naval, os portos, a formação profissional e a própria vida a bordo.

Por isso, História da Marinha Mercante Brasileira não deve ser vista apenas como um registro de navios antigos. É também a história das pessoas que trabalharam nesses navios e de uma atividade que participou diretamente da construção econômica e territorial brasileira.

Muitos dos navios desapareceram. Muitas empresas deixaram de existir. Documentos foram perdidos e gerações inteiras de marítimos já não podem contar suas próprias histórias.

O trabalho de Alberto Pereira de Aquino ajuda a impedir que parte dessa memória desapareça junto com eles.

imagem: https://www.marinha.mil.br/dphdm/node/839

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