História da Marinha Mercante Brasileira: de 1945 aos nossos dias

por CCMM

História da Marinha Mercante Brasileira, Volume II: 1945–2019, do CLC Alberto Pereira de Aquino, dá continuidade à narrativa iniciada no primeiro volume e acompanha quase 75 anos de transformações da navegação brasileira. É a parte da obra que nos aproxima da Marinha Mercante contemporânea, atravessando o crescimento da frota nacional, as mudanças da indústria naval, o avanço da tecnologia, a especialização dos navios e também os períodos de crise e redução da presença brasileira no transporte marítimo.

O volume original foi publicado em 2009. Em 2020, uma segunda edição atualizada, apresentada pelo Centro dos Capitães da Marinha Mercante (CCMM), ampliou o período histórico da obra até 2019. Juntos, os dois volumes de Aquino percorrem praticamente dois séculos de Marinha Mercante brasileira, começando na Independência, em 1822, e chegando às portas da década de 2020.

A escolha de 1945 como ponto de partida deste segundo livro também é significativa. A Segunda Guerra Mundial terminava deixando enormes perdas humanas e materiais, mas inaugurando igualmente uma nova ordem econômica internacional. O comércio voltaria a crescer e o transporte marítimo seria chamado a atender uma demanda cada vez maior por matérias-primas, combustíveis e produtos industrializados.

No Brasil, as décadas seguintes seriam marcadas por esforços para ampliar a frota mercante e fortalecer a indústria naval. O crescimento econômico exigia capacidade de transporte e criava a necessidade de embarcações cada vez mais especializadas.

Foi nesse ambiente que ganhou importância a navegação de petróleo e derivados, justamente uma área que Alberto Pereira de Aquino conheceu de dentro. Ele navegou em 12 navios da FRONAPE, passando pelas funções de Segundo Piloto, Primeiro Piloto e Imediato antes de seguir outras atividades profissionais ligadas à formação e ao setor marítimo.

Essa experiência pessoal atravessa um período particularmente rico da história narrada no livro. A expansão da atividade petrolífera, o desenvolvimento de terminais, a construção de embarcações e a formação de profissionais especializados ajudaram a transformar a estrutura marítima brasileira.

Mas essa evolução não aconteceu de maneira contínua.

A própria apresentação oficial da obra destaca que a história da frota brasileira foi marcada por ciclos de evolução, retrocesso e estagnação. Em determinados períodos houve expansão, encomendas de navios e fortalecimento de empresas. Em outros, crises econômicas, mudanças regulatórias e novas condições de competição internacional alteraram profundamente o cenário.

Enquanto o Brasil atravessava essas oscilações, uma revolução silenciosa modificava a navegação mundial.

O contêiner transformou o transporte de carga geral. Portos precisaram ser reconstruídos e adaptados, navios tornaram-se progressivamente maiores e as operações marítimas passaram a fazer parte de cadeias logísticas que começam e terminam muito além dos cais.

Também mudaram os navios e aqueles que trabalham neles.

O sextante e muitas das práticas tradicionais de navegação foram cedendo espaço aos sistemas eletrônicos. Comunicações por rádio evoluíram para comunicações por satélite. Radares, sistemas integrados, GPS, cartas eletrônicas e automação modificaram o passadiço e a praça de máquinas. Ao mesmo tempo, as tripulações diminuíram e aumentaram as exigências internacionais de qualificação, segurança e proteção ambiental.

Quem começou a navegar nas primeiras décadas abrangidas pelo livro conheceu uma Marinha Mercante muito diferente daquela encontrada por um oficial que embarca atualmente.

É justamente essa perspectiva histórica que torna o segundo volume especialmente interessante.

Discussões atuais sobre cabotagem, frota de bandeira brasileira, formação de marítimos, construção naval, competitividade, custos e participação nacional no transporte do comércio exterior não surgiram de repente. Muitas são consequências de decisões, ciclos econômicos e políticas construídas ao longo das décadas descritas por Aquino.

Conhecer essa trajetória permite olhar o presente com outra perspectiva.

Há ainda uma ligação especial entre a obra e o Centro dos Capitães da Marinha Mercante. O CCMM não aparece apenas como instituição que apresentou a edição atualizada. Seus próprios associados pertencem às gerações que viveram boa parte da história contada nessas páginas.

Alguns navegaram nos antigos cargueiros convencionais. Outros acompanharam o crescimento dos petroleiros, a chegada dos grandes graneleiros e porta-contêineres, a transformação dos portos e a revolução eletrônica dos passadiços.

Por isso, os dois volumes de História da Marinha Mercante Brasileira fazem mais do que organizar datas e acontecimentos.

Eles aproximam gerações.

De um lado estão os homens e mulheres que construíram a atividade. Do outro, aqueles que hoje encontram navios muito mais tecnológicos e uma indústria profundamente internacionalizada.

Entre eles permanece a memória.

E foi essa memória que o CLC Alberto Pereira de Aquino decidiu transformar em livro.

imagem: https://www.leilaonaiarasantos.com.br/peca.asp?Id=22190265

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