Navios de GNL chegam antes das cargas e mantêm o mercado sob pressão

por CCMM

Mais de cem entregas previstas para 2026 revelam o risco de construir a frota em ritmo diferente daquele dos novos projetos de liquefação.

O comércio mundial de gás natural liquefeito está crescendo, mas isso não garante automaticamente bons resultados para os proprietários dos navios que transportam o produto. Em 2026, o mercado enfrenta um problema de sincronização: grande parte das novas embarcações deverá ficar pronta antes que uma parcela importante da nova produção esteja disponível.

De acordo com a consultoria Drewry, mais de cem embarcações ligadas ao mercado de GNL estão programadas para entrega em 2026, incluindo aproximadamente 85 transportadores de gás natural liquefeito. Mais de 65% das entregas anuais estavam concentradas no primeiro semestre, enquanto cerca de 60% da nova capacidade de liquefação deveria entrar em operação somente na segunda metade do ano.

Essa diferença cria um período no qual muitos navios disputam uma quantidade ainda limitada de cargas. A frota cresce antes da produção, ampliando a oferta de transporte e mantendo os fretes sob pressão.

Em 2025, as taxas médias dos navios equipados com sistemas de propulsão TFDE caíram 37%, para aproximadamente US$ 25 mil por dia. Nos transportadores mais modernos, com motores XDF ou MEGI, a média recuou 25%, para cerca de US$ 40,5 mil diários. A Drewry prevê alguma recuperação em 2026, mas considera improvável um aumento expressivo enquanto a expansão da frota continuar superior à da produção.

O contraste é ainda mais evidente quando se observa o crescimento do próprio comércio. A União Internacional do Gás informa que as trocas mundiais de GNL aumentaram 6,3% em 2025, alcançando 437 milhões de toneladas. Canadá e Mauritânia/Senegal ingressaram no grupo de exportadores, enquanto os Estados Unidos responderam pela maior parte do aumento da oferta.

Para 2026, aproximadamente 43 milhões de toneladas anuais de nova capacidade de liquefação são esperadas, com projetos no Catar e nos Estados Unidos. Europa e Ásia deverão absorver parte desses volumes, mas a frota também continuará crescendo. A carteira mundial de encomendas compreende centenas de embarcações e representa uma parcela expressiva da frota existente.

Os navios mais antigos serão os primeiros a sentir os efeitos. A Drewry calcula que entre 18 e 20 transportadores de GNL poderão ser desmontados em 2026, estabelecendo um novo recorde. Outros poderão ficar temporariamente sem contrato, especialmente os equipados com turbinas a vapor, que consomem mais combustível.

O caso demonstra que, no transporte marítimo, prever o crescimento de uma carga não basta. É necessário acertar quando ela estará disponível, quais rotas percorrerá e quantos navios serão necessários. Um mercado pode apresentar recordes de produção e comércio enquanto os armadores enfrentam baixa utilização e fretes insuficientes para remunerar seus investimentos.

imagem: www.gasnet.com.br

Categoria editorial: 5.Economia, Mercados & Comércio Marítimo

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