
Barreiras de contenção, recolhedores, embarcações, materiais absorventes e equipes especializadas são as imagens mais conhecidas de uma resposta a derramamento de óleo. Quando esses recursos aparecem, porém, uma etapa decisiva já deveria ter acontecido.
Ela ocorreu no planejamento.
O Plano de Emergência Individual exigido para determinadas instalações precisa considerar cenários de derramamento e simulações da dispersão das manchas. Também deve identificar características socioambientais das áreas potencialmente atingidas e, a partir disso, definir técnicas de resposta, recursos humanos e materiais, comunicação, treinamento e medidas de recuperação.
Isso acontece porque duas manchas com volumes semelhantes podem produzir consequências completamente diferentes. Correntes, vento, tipo de óleo, temperatura, distância da costa, características do litoral e presença de ecossistemas sensíveis alteram radicalmente a evolução da emergência.
Há ainda um componente que nem sempre recebe a mesma atenção pública: a fauna.
A resposta não termina com a retirada do produto da superfície. Animais contaminados podem exigir captura, estabilização, limpeza, tratamento, reabilitação e critérios técnicos para eventual retorno ao ambiente. O próprio Ibama mantém orientações específicas sobre manejo de fauna atingida por óleo dentro de sua estrutura de preparação para emergências ambientais.
O Brasil possui diferentes camadas de planejamento para essas situações. PEIs cuidam da capacidade individual das instalações; Planos de Área articulam respostas conjuntas em regiões de concentração de atividades; e o Plano Nacional de Contingência estabelece a estrutura destinada aos episódios de maior dimensão.
É uma arquitetura construída sobre uma constatação simples: quando a mancha aparece, o relógio já está correndo.
A qualidade da resposta dependerá, em grande medida, de tudo aquilo que foi feito enquanto o mar ainda estava limpo.
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Categoria: 6.Segurança, Regulação & Meio Ambiente