S-100: o que muda nas cartas e nos dados usados para navegar

por admin

Em janeiro de 2026, entrou em vigor a primeira fase das especificações de produtos baseados no S-100, padrão da Organização Hidrográfica Internacional (IHO) para organizar e integrar dados hidrográficos digitais. A mudança abriu caminho para que informações diferentes da carta náutica sejam apresentadas no mesmo sistema de navegação, ampliando o conjunto de dados que pode apoiar a leitura das condições ao redor do navio.

Entre os produtos dessa primeira fase estão a carta náutica eletrônica S-101, a superfície batimétrica S-102, as informações sobre nível da água S-104 e os dados de correntes superficiais S-111. Também fazem parte do conjunto avisos à navegação, catálogo de produtos náuticos e informações para o gerenciamento da folga sob a quilha. Na prática, isso permite combinar a carta com dados sobre profundidade, maré e corrente, desde que essas informações estejam disponíveis para a área e sejam compatíveis com o equipamento utilizado.

Essa integração pode fazer diferença em situações do mundo real. Por exemplo, na aproximação de um porto ou na passagem por um canal, a carta mostra a configuração da área, enquanto dados sobre profundidade, nível da água e corrente ajudam a compor uma leitura mais completa das condições de navegação. Com informações atualizadas e confiáveis, o oficial pode ter mais elementos para avaliar a situação do navio e a margem disponível sob a quilha. O padrão, porém, organiza a forma como os dados podem ser apresentados; ele não garante, por si só, que todos esses dados já existam ou estejam disponíveis em tempo real em cada região.

A adoção também depende dos equipamentos.

O ECDIS, sistema de apresentação de cartas e informações usado a bordo, precisa ser aprovado para esse fim e compatível com os padrões aplicáveis. A IHO informou, em março de 2026, que ainda havia etapas a cumprir para a disponibilidade de ECDIS com aprovação de tipo para o S-100 e a entidade também prevê um período de transição até 1º de janeiro de 2029, quando novas instalações deverão atender aos padrões atualizados da IMO.

E isso não significa que todos os navios em operação precisem trocar seus equipamentos imediatamente. Enquanto os equipamentos comerciais aprovados não estavam disponíveis, a IHO apontava que autoridades portuárias e embarcações com sistemas eletrônicos não sujeitos às exigências de transporte de cartas da IMO já poderiam testar produtos S-100. Esses testes permitem observar como diferentes camadas funcionam juntas e identificar dificuldades antes de uma adoção mais ampla. A própria entidade também chama atenção para um aspecto da operação: mais informação pode ajudar, mas exige que o usuário saiba selecionar o que é relevante para cada situação, sem sobrecarregar a tela ou a tomada de decisão.

No Brasil, a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN), por meio do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), mantém as cartas náuticas oficiais das águas sob jurisdição brasileira. Por isso, a transição envolve também a produção, a atualização e a distribuição de dados hidrográficos sobre a costa e as vias navegáveis do país e a DHN já trata do S-100 em seus trabalhos sobre a evolução das cartas eletrônicas, enquanto a atualização dos produtos oficiais continua sendo parte essencial da segurança da navegação.

Para os marítimos brasileiros, a mudança será percebida quando cartas, dados locais e equipamentos aprovados estiverem completa e amplamente disponíveis de forma integrada em todas as rotas que operam. Até lá, a implantação segue em etapas, com testes e ajustes. O avanço do S-100 amplia as possibilidades da navegação digital, mas sua utilidade a bordo dependerá da qualidade dos dados, da cobertura das áreas navegadas e da familiaridade dos profissionais com as novas informações.

imagem: media.licdn.com

Categoria: Marinha Mercante & Navegação

Voce também pode gostar

Fale com
o CCMM