Amônia verde: a operação que testa uma nova rota para os navios graneleiros

por CCMM_news_gp

Em 13 de outubro, o graneleiro Mineral Europa recebeu mil toneladas de amônia verde em uma operação de abastecimento de navio para navio, realizada em Zhoushan, na China. O combustível foi transferido pelo Shenghang Yongle, embarcação preparada para abastecer navios com amônia. A operação foi anunciada como a primeira do tipo em escala comercial. Depois, o Mineral Europa, com capacidade de 210 mil toneladas de porte bruto, seguiu para a Austrália.

A importância do caso está no porte do navio e no tipo de operação. O Mineral Europa é um graneleiro oceânico com motor bicombustível, capaz de operar com amônia ou combustível marítimo convencional. A flexibilidade é essencial nesta fase: permite que o navio opere enquanto a oferta de amônia e a infraestrutura de abastecimento ainda estão se formando.

O abastecimento também colocou em funcionamento uma cadeia logística ampla. A amônia foi produzida em Songyuan, na província chinesa de Jilin, transportada por caminhões até um terminal em Nanjing e levada por via aquaviária até Zhoushan. Ali, passou do navio abastecedor para o graneleiro. Para a indústria naval, o teste não está apenas no motor: depende de terminais, embarcações de apoio, sistemas de transferência e coordenação entre fornecedores e operadores.

O combustível, porém, exige cuidados especiais. A amônia é tóxica, e um vazamento pode colocar em risco a tripulação e as equipes envolvidas no abastecimento. O projeto do navio precisa integrar tanques, tubulações, ventilação, detecção de vazamentos, contenção e parada de emergência. A Organização Marítima Internacional aprovou diretrizes provisórias de segurança para navios que usam amônia como combustível, sinal de que os procedimentos específicos para essa tecnologia ainda estão sendo consolidados.

Também é preciso tratar com precisão a promessa ambiental. A queima da amônia não libera CO₂ contido no próprio combustível, mas isso não significa que toda a operação seja automaticamente livre de emissões. A produção e o transporte da amônia contam no balanço ambiental, assim como o combustível piloto usado pelo motor. A WinGD informa que seus testes em carga plena foram feitos com uma parcela de combustível piloto em torno de 5%.

A operação em Zhoushan mostra que a amônia começa a sair da etapa de demonstração técnica e a ser testada numa cadeia comercial real. Ainda será necessário verificar o desempenho do navio em viagens regulares, a frequência de abastecimento, os custos, a disponibilidade de combustível e a segurança das operações repetidas. Um abastecimento bem-sucedido prova que a cadeia pode funcionar; a escala dependerá de fazê-la funcionar de modo confiável em mais portos e rotas.

Para o setor naval, o Mineral Europa representa um desafio de integração: projeto do navio, propulsão, armazenamento, abastecimento, treinamento e regras de segurança precisam operar como um único sistema. O próximo marco não será apenas a construção de outros navios bicombustíveis, mas a comprovação de que existe combustível disponível, com segurança e desempenho ambiental verificável. É isso que dirá se a experiência de Zhoushan abre uma rota comercial duradoura para os graneleiros.

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Categoria: Indústria Naval & Tecnologia

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