
Durante uma escala prolongada no Recife, um oficial encarregado dos cronômetros deixou de cumprir uma tarefa que, naquele tempo, tinha grande importância para a navegação. Candinho, como era conhecido entre os colegas, esqueceu-se de dar corda aos instrumentos, e os três pararam. A pequena crise foi narrada pelo Capitão-de-Longo-Curso Ernani A. M. Ribeiro na centésima edição da Revista Eletrônica do CCMM, publicada em outubro de 2012.
Segundo o Comandante Ribeiro, os cronômetros recebiam cuidados específicos e ficavam protegidos na casa de navegação. Dar corda era um ritual diário realizado em horário fixo, enquanto os registros de comparação com o sinal horário permitiam acompanhar o comportamento dos instrumentos. Candinho conhecia essa obrigação, mas, naquela estada, sua atenção havia se afastado dela. Quando percebeu o resultado, apressou-se em dar corda, sem conseguir fazer com que os cronômetros voltassem a funcionar.
O oficial tentou resolver o problema com outros pilotos, porém acabou procurando o autor da crônica. O Comandante Ribeiro sabia o que era necessário fazer e admitiu ter deixado o subordinado preocupado por mais algum tempo, antes de chamá-lo à casa de navegação. Ali, acertou os instrumentos e demonstrou o movimento que os colocava novamente em marcha. O alívio de Candinho encerrou uma situação que, para ele, já parecia ameaçar sua permanência no navio.
O relato conserva o humor de uma convivência profissional e também o modo como se aprendia a bordo: parte do conhecimento passava pelas mãos de quem já havia enfrentado o problema, enquanto os mais novos ainda descobriam detalhes que os procedimentos escritos não lhes haviam tornado familiares. O Comandante Ribeiro encerrou a lembrança informando que Candinho já havia falecido. Ao registrá-lo pelo apelido e por uma dificuldade tão particular, preservou uma pessoa reconhecível para seus companheiros, junto com uma rotina de trabalho que o tempo transformou.
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Fonte: Revista Eletrônica do CCMM, nº 100, 15 de outubro de 2012, pp. 13 e 14. Crônica Candinho e os cronômetros, do CLC Ernani A. M. Ribeiro