Bonaparte CCS avança e coloca o fundo do mar no mapa da captura de carbono

por CCMM_news_gp

Um projeto offshore na Austrália acaba de avançar para uma etapa decisiva: o Bonaparte CCS iniciou a engenharia detalhada para criar uma estrutura de captura e armazenamento de dióxido de carbono no fundo do mar.

A área fica na Bacia de Bonaparte, a cerca de 250 quilômetros da costa de Darwin. A notícia interessa ao setor marítimo porque amplia o uso do ambiente offshore para além da produção de petróleo, gás e energia eólica; e a proposta é transportar CO₂ capturado em instalações industriais e armazená-lo em formações geológicas profundas.

O projeto é conduzido pela INPEX, com participação da TotalEnergies e da Woodside. A entrada na fase de engenharia, conhecida como FEED, permite detalhar o desenho técnico, os custos e os requisitos necessários para uma eventual decisão final de investimento e ainda não significa que a construção esteja autorizada ou que o armazenamento tenha começado. Outro passo veio em 16 de outubro, quando o governo australiano reconheceu a formação West Peron como adequada para o armazenamento geológico de gases de efeito estufa.

Essa foi uma etapa regulatória importante, mas não equivale à licença final para injetar CO₂. O projeto ainda precisa cumprir outras exigências antes de iniciar a operação.

A capacidade potencial anunciada chega a 443 milhões de toneladas ao longo da vida do projeto. O governo australiano estima que a injeção poderá ocorrer por até 35 anos e esses números descrevem o potencial do reservatório, não uma quantidade já armazenada.

A primeira injeção é prevista para o início da década de 2030, condicionada a aprovações regulatórias e acordos comerciais. A expectativa é que o gás carbônico venha inicialmente do complexo de gás natural liquefeito Ichthys e a INPEX afirma que o projeto poderá reduzir em cerca de 40% as emissões de CO₂ associadas à instalação porém, como o sistema ainda está em desenvolvimento, esse percentual é uma projeção da empresa, não um resultado operacional comprovado.

O desafio está em fazer toda a cadeia funcionar com segurança: capturar o CO₂, transportá-lo até a área offshore, injetá-lo na formação geológica e acompanhar seu comportamento ao longo do tempo. A escolha de um reservatório adequado é fundamental, mas também será necessário demonstrar que o gás permanece confinado e que eventuais vazamentos podem ser detectados e controlados e é nesse trabalho de engenharia, monitoramento e verificação que a promessa de armazenamento precisa se sustentar.

O avanço do Bonaparte mostra uma nova frente para a indústria offshore e para os profissionais que projetam, operam e mantêm instalações marítimas.

Também exige uma leitura cuidadosa: armazenar carbono pode reduzir parte das emissões de uma instalação, mas não elimina as emissões de toda a cadeia de produção e uso do gás. Assim, o resultado dependerá da execução do projeto e da comprovação de que o CO₂ ficará armazenado de forma segura e duradoura.

imagem: www.inpex.com

Categoria: Offshore & Energia do Mar

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