
Em abril de 2026, a Organização Marítima Internacional (IMO) decidiu desenvolver um código obrigatório para o transporte de pellets plásticos em contêineres.
A proposta ainda está em elaboração: o comitê encarregou o Subcomitê de Prevenção e Resposta à Poluição de preparar o texto e a futura regra poderá ser vinculada à MARPOL, que trata da prevenção da poluição por navios, à SOLAS, voltada à segurança da vida no mar, ou às duas convenções.
Pellets, também chamados de nurdles, são pequenos grânulos usados como matéria-prima para fabricar produtos plásticos. Antes de se transformarem em embalagens, peças e outros objetos, eles já percorrem longas distâncias em navios mas, se uma embalagem se rompe ou perde conteúdo, os grânulos podem se espalhar na água e chegar à costa. A IMO aponta possíveis danos à vida marinha, à pesca, à aquicultura e ao turismo.
O risco não depende necessariamente de um naufrágio: vibrações e acelerações comuns durante o transporte podem contribuir para a perda de conteúdo se a embalagem não resistir às condições da viagem. Por isso, as recomendações atuais da IMO orientam o uso de embalagens resistentes e fechadas de forma a evitar vazamentos durante o transporte normal. As orientações também tratam da informação e da estivagem: a carga deve ser identificada para o operador do navio, acompanhada de solicitação especial de posicionamento e, sempre que razoavelmente possível, acomodada sob o convés. Quando isso não for viável, a recomendação é colocá-la em áreas protegidas do convés.
A estivagem precisa reduzir o risco ambiental sem criar perigo para o navio ou para as pessoas a bordo.
Essas medidas constam hoje de recomendações aprovadas pela IMO em 2024. O passo anunciado em 2026 é preparar um código obrigatório, usando essas recomendações como base e considerando a experiência acumulada pelos países e, até que o texto seja elaborado e adotado, não se deve apresentar as novas exigências como regra internacional já em vigor.
O precedente mais conhecido é o do X-Press Pearl, que sofreu um incêndio e afundou perto do Sri Lanka em 2021: o acidente liberou pellets no ambiente marinho e levou à costa toneladas do material.
A IMO já dispõe de orientações para resposta e limpeza, mas recolher milhares de pequenos grânulos dispersos é uma operação complexa. Então, prevenir a perda na embalagem e na estivagem pode ser mais eficaz do que tentar recuperar a carga depois que ela se espalha.
A elaboração do código será importante porque transforma um problema de embalagem e organização da carga em questão de segurança e proteção ambiental ao longo de toda a viagem.
O resultado dependerá de responsabilidades claras para quem declara, embala, aceita, estiva e transporta os pellets, além de procedimentos para resposta a incidentes. Apesar da carga pequenina, o desafio está em impedir que milhares de unidades escapem antes que alguém perceba.
imagem: hitopindustrial.com
Categoria: Segurança, Regulação & Meio Ambiente