Estaleiro Eisa tenta liberar espaço para um novo ciclo naval

por CCMM_news_gp

Desmantelamento de embarcações inacabadas pode ajudar a reorganizar o parque industrial e cumprir obrigações da recuperação judicial. A retomada da construção, porém, ainda depende de decisões sobre cada casco e de etapas que não têm cronograma confirmado.

Na Baía de Guanabara, parte das instalações do Estaleiro Ilha S.A. (Eisa) continua ocupada por embarcações que não foram concluídas. A empresa busca resolver esse passivo com o desmantelamento de estruturas e a venda de materiais, equipamentos e sucata e a estratégia pode liberar áreas do estaleiro e gerar recursos para compromissos da recuperação judicial.

Entre os cascos estão dois navios do antigo Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), encomendados pela Transpetro, além de embarcações ligadas a projetos da estatal venezuelana PDVSA e da antiga encomenda da Log-In. Segundo informações divulgadas em entrevista com o executivo do estaleiro, a Transpetro estudava orçar a recuperação dos dois navios do Promef e, se a tentativa não avançar, eles poderão ser cortados. Portanto, o desmantelamento não está definido para todos os cascos.

A dimensão do material envolvido aparece em um leilão judicial autorizado em julho. O lote inclui 6.314 toneladas de sucata de aço naval ASTM A131, avaliada em R$ 11,56 milhões e o edital marcou a abertura dos lances para 24 de agosto e o encerramento para 28 de agosto. A venda foi proposta para contribuir com as obrigações do plano de recuperação judicial, especialmente os créditos trabalhistas. O reaproveitamento do aço e a retirada dos cascos também podem devolver espaço físico às instalações. O valor industrial dessa operação, porém, depende do destino efetivo dos lotes e da solução para cada embarcação parada.

O Eisa também aparece como possível participante do mercado de desmantelamento naval. Em entrevista publicada em 19 de outubro, o executivo citado afirmou que o estaleiro tinha licença ambiental para executar esse serviço, mas precisava resolver primeiro a situação dos navios que ocupavam suas instalações e isso mostra que a reciclagem de embarcações exige estrutura e licenciamento próprios, além da retirada segura dos materiais.

O caso expõe uma etapa difícil da indústria naval: decidir o que fazer quando projetos interrompidos deixam de ser apenas obras paradas e passam a bloquear áreas, recursos e compromissos com trabalhadores.

Cortar um casco pode recuperar parte do valor dos materiais e liberar o estaleiro, mas também encerra a possibilidade de concluir aquela embarcação. Por isso, o desmantelamento pode ser parte da reorganização do Eisa, mas ainda não confirma a retomada da construção naval no local.

Para que essa etapa se transforme em novo ciclo industrial, será preciso resolver os processos ligados aos cascos, definir o destino do material e apresentar projetos com condições técnicas e financeiras para ocupar novamente o estaleiro.

imagem: ogimg.infoglobo.com.br

Categoria: Indústria Naval & Tecnologia

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