No canal de Itajaí, saber esperar também faz parte da segurança

por CCMM_news_gp

Quando a correnteza ultrapassa os limites operacionais, a rotina de quem trabalha no porto muda. Navios podem ter de aguardar uma nova avaliação, manobras precisam ser reprogramadas e as equipes acompanham as informações antes de qualquer tentativa de entrada ou saída e, em Itajaí, a correnteza atingiu 2,9 nós no fim da tarde de 4 de novembro, e a autoridade portuária suspendeu preventivamente a navegação no canal.

Para comandantes e tripulações, uma restrição desse tipo exige atenção às condições locais e às orientações recebidas antes de cada manobra. Práticos, rebocadores, equipes dos terminais e profissionais responsáveis pela coordenação do tráfego também precisam trabalhar com informações atualizadas. Além disso, o tempo de espera pode alterar escalas e horários, mas a decisão de aguardar preserva a margem de segurança necessária para que cada operação seja reavaliada.

Esse trabalho depende de comunicação e coordenação.

A correnteza não afeta todas as embarcações da mesma maneira: porte, calado, condições do canal e características da manobra influenciam a avaliação. Por isso, a liberação não deve ser presumida a partir de uma melhora momentânea e a Superintendência do Porto informou que a retomada dependia da autorização da autoridade marítima.

A prevenção também precisa de informação confiável: o Porto de Itajaí instalou marégrafos de radar e uma estação meteorológica para ampliar o monitoramento do acesso aquaviário e, quando estiver em operação, o sistema deverá acompanhar parâmetros como correnteza, maré, ondas, vento, visibilidade e chuva. A iniciativa integra uma estratégia que combina monitoramento e manutenção do canal.

Em setembro, o porto também publicou uma resolução sobre condições especiais de amarração em situações de correnteza elevada. O documento prevê medidas operacionais voltadas à segurança das embarcações, das instalações portuárias e das equipes envolvidas.

Na atividade marítima, competência técnica inclui reconhecer quando as condições não permitem prosseguir e saber aguardar, manter a comunicação e seguir os procedimentos faz parte do trabalho de quem conduz, apoia e coordena uma operação no mar.

imagem: media.istockphoto.com

Categoria: Pessoas, Formação & Vida no Mar

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