O convênio entre o CCMM e o Instituto de Ciências Náuticas

por CCMM

Há momentos na história de uma instituição que parecem administrativos quando acontecem, mas ganham outro significado quando vistos anos depois. Em 24 de março de 2014, o Centro dos Capitães da Marinha Mercante e o Instituto de Ciências Náuticas formalizaram um acordo que se encaixa exatamente nessa categoria.

Naquele dia, na sede do CCMM, foi oficializado o Convênio de Cooperação Técnica, Científica e Cultural entre as duas entidades. Pelo Centro dos Capitães, o documento foi firmado pelo então presidente, CLC Álvaro José de Almeida Jr.. Pelo Instituto de Ciências Náuticas, participou seu representante, CLC André Luiz Oliveira Guaycuru de Carvalho. O registro foi publicado na Revista Eletrônica do próprio CCMM.

O objetivo estava claramente definido: desenvolver cursos e projetos de cooperação técnica, além de ampliar o intercâmbio em assuntos educacionais relacionados ao segmento marítimo. Portanto, não se tratava apenas de aproximar duas organizações que atuavam no mesmo ambiente profissional. A proposta buscava transformar essa proximidade em circulação efetiva de conhecimento.

Esse detalhe é particularmente importante para compreender o papel que o Centro vinha procurando exercer naquele período.

O CCMM sempre teve na experiência de seus comandantes um de seus maiores patrimônios. Entretanto, experiência acumulada só produz continuidade quando consegue ser compartilhada. Ao aproximar-se de uma instituição dedicada ao ensino e ao treinamento marítimo, o Centro reforçava justamente essa ponte entre conhecimento profissional e formação.

O Instituto de Ciências Náuticas já mantinha uma programação voltada a diferentes aspectos da qualificação marítima. Ainda em 2014, publicações do CCMM divulgavam cursos do ICN em áreas como Combate Avançado a Incêndio, Gerenciamento de Passadiço, Embarcação de Sobrevivência e Salvamento e Supervisão de Manutenção.

Isso ajuda a perceber que o convênio não nasceu como uma iniciativa isolada.

Havia convergência entre duas vocações. De um lado, uma entidade formada por comandantes e profissionais que carregavam décadas de experiência prática. De outro, uma instituição voltada à capacitação, atualização e desenvolvimento profissional de marítimos. A cooperação criava um ambiente no qual essas duas dimensões poderiam se complementar.

A necessidade de atualização permanente já era evidente naquela época. A navegação passava por mudanças importantes, com maior integração eletrônica nos passadiços, novas exigências internacionais, evolução dos sistemas de gerenciamento, aperfeiçoamento das normas de segurança e crescente especialização das operações marítimas.

Nesse contexto, a formação de um oficial não poderia terminar com a conclusão da escola.

A própria carreira exigia constante atualização, porque equipamentos, procedimentos, normas e responsabilidades mudavam ao longo do tempo. Para profissionais que poderiam permanecer décadas no setor, acompanhar essas transformações fazia parte da própria condição de permanecer tecnicamente preparado.

É justamente nesse ponto que o convênio de 2014 ganha importância histórica.

Ao incluir expressamente cooperação técnica, científica, cultural e educacional, o acordo mostrava uma compreensão mais ampla do papel que uma associação profissional poderia exercer. O Centro não precisava limitar-se à representação de seus associados ou aos encontros de confraternização. Poderia também participar da construção e da circulação do conhecimento marítimo.

Essa aproximação continuaria aparecendo em iniciativas posteriores. Em 2017, por exemplo, CCMM e ICN estiveram entre as instituições patrocinadoras da exposição “Navios que fizeram História”, realizada no Museu Naval, ao lado do Conselho Nacional de Praticagem e do SINDMAR. A mostra reuniu fotografias de embarcações do século XX e contou com a presença do então presidente do CCMM, CLC Álvaro José de Almeida Junior.

Três anos depois do convênio, portanto, as duas instituições voltavam a aparecer juntas, dessa vez em uma iniciativa voltada também à preservação da memória marítima.

Esse percurso ajuda a compreender algo que talvez seja ainda mais relevante hoje.

Uma instituição como o CCMM reúne profissionais que viveram diferentes fases da Marinha Mercante brasileira. Entre seus associados existem experiências adquiridas em navios, companhias, terminais, salas de aula, operações offshore e inúmeras outras áreas do setor. Preservar esse conhecimento é importante, mas fazê-lo circular é ainda mais.

O convênio firmado em 2014 representava exatamente essa tentativa de circulação.

Cursos, palestras, projetos técnicos, intercâmbio educacional e iniciativas culturais são formas diferentes de realizar a mesma tarefa: permitir que a experiência de uma geração seja aproveitada pela seguinte.

Visto hoje, o documento assinado em março daquele ano torna-se também parte da memória institucional que o novo Portal procura recuperar. Ele mostra um CCMM interessado não apenas em preservar sua história, mas em participar ativamente da formação e do desenvolvimento profissional da comunidade marítima.

É uma ideia que continua atual.

Tecnologias mudam, programas de treinamento evoluem e novas exigências surgem, mas instituições profissionais permanecem relevantes quando conseguem reunir pessoas, preservar experiência e criar meios para que o conhecimento continue circulando.

Foi esse princípio que aproximou o Centro dos Capitães da Marinha Mercante e o Instituto de Ciências Náuticas em 2014.

E é também esse princípio que transforma um convênio administrativo em parte da própria história do CCMM.

imagem: https://www.cienciasnauticas.org.br

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