
Quando se pensa na atividade marítima, a primeira imagem quase sempre é a de um navio, de um porto ou dos profissionais que passam boa parte de suas vidas no mar. Mas existe uma enorme estrutura em terra sem a qual praticamente nenhuma dessas operações poderia acontecer.
É nesse outro lado da atividade marítima que encontramos a advogada Nathália Souza, especialista em Direito Marítimo e profissional com mais de uma década de experiência em operações nacionais e internacionais relacionadas aos setores de petróleo, gás e navegação.
Sua trajetória ajuda a mostrar uma face da Marinha Mercante que nem sempre aparece para o grande público. Por trás de uma embarcação afretada, da compra ou venda de um ativo naval, de uma operação offshore ou mesmo de um acidente da navegação existe um emaranhado de contratos, normas, responsabilidades e relações entre empresas, autoridades e diferentes jurisdições.
É justamente nesse ambiente que trabalha o advogado maritimista.
A atuação da Dra. Nathália passou por escritórios de advocacia e empresas do setor de energia e alcançou operações complexas envolvendo petróleo e gás, navegação e projetos offshore. Entre os temas associados à sua experiência estão contratos de afretamento, ativos de upstream, descomissionamento, seguros e resseguros, transações envolvendo ativos navais e questões regulatórias.
É uma especialização que exige algo além do conhecimento jurídico convencional. O profissional precisa compreender o negócio que existe por trás do contrato, conhecer a realidade operacional do setor marítimo e acompanhar um ambiente regulatório que frequentemente atravessa fronteiras.
No petróleo e gás essa complexidade fica ainda mais evidente. Uma única operação pode reunir embarcações, instalações offshore, contratos de grande valor, diferentes empresas e regimes regulatórios, além de questões ambientais, tributárias, aduaneiras e de responsabilidade.
Dra. Nathália também vem se aproximando de uma das discussões que deverão marcar profundamente o futuro da economia do mar: a combinação entre inovação, energia e sustentabilidade.
Em 2025, participou, ao lado do advogado Fabiano Mendonça, da elaboração e apresentação de um trabalho voltado ao mapeamento de recursos para pesquisa, desenvolvimento e inovação relacionados à indústria de petróleo e gás, envolvendo também temas como transição energética, descarbonização e novas tecnologias.
São assuntos que começam longe do convés de um navio, mas acabam chegando diretamente a ele.
A transformação energética mundial, o descomissionamento de plataformas, a reciclagem de estruturas marítimas, a redução das emissões e a adoção de novas tecnologias estão criando desafios que não são apenas de engenharia. Cada mudança precisa encontrar também caminhos jurídicos e regulatórios que permitam transformar projetos em operações reais.
Em outubro de 2025, Dra. Nathália recebeu uma homenagem na Câmara Municipal do Rio de Janeiro durante uma cerimônia alusiva ao Dia Mundial Marítimo. Na ocasião, chamou atenção justamente para o trabalho muitas vezes pouco visível dos advogados maritimistas e para a presença desses profissionais nos grandes investimentos e contratos ligados ao setor naval brasileiro.
A homenagem é particularmente interessante porque ajuda a enxergar a comunidade marítima em uma dimensão muito maior.
A Marinha Mercante não é formada somente por quem embarca.
Ela também depende de engenheiros, técnicos, pesquisadores, professores, reguladores, profissionais de seguros, especialistas em logística, economistas e advogados que conheçam as peculiaridades de uma atividade que continua sendo essencialmente internacional.
A Dra. Nathália Souza pertence a essa geração de profissionais que trabalha exatamente nessa interseção entre o mar e aquilo que acontece em terra.
E talvez esteja aí a melhor razão para incluí-la entre as nossas Personalidades: lembrar que, antes de um navio suspender o ferro, muita gente já trabalhou para que ele pudesse navegar.
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