Propulsão assistida pelo vento avança da experiência para a operação comercial

por CCMM

Velas rígidas, rotores e asas automatizadas reduzem o consumo de combustível sem substituir os motores principais dos navios.

A utilização do vento voltou aos projetos navais, mas sob uma forma bastante diferente das antigas embarcações a vela. Os sistemas atuais empregam materiais compostos, sensores, softwares, automação e previsões meteorológicas para complementar a propulsão convencional e reduzir o consumo de combustível.

Entre as tecnologias disponíveis estão rotores cilíndricos, velas rígidas, asas articuladas, perfis de sucção e grandes pipas instaladas à frente do navio. Cada solução utiliza o vento de maneira diferente, mas todas procuram gerar uma força capaz de auxiliar o deslocamento da embarcação.

Os rotores exploram o chamado efeito Magnus. Quando o cilindro vertical gira sob a ação do vento, produz uma força lateral que pode ser convertida em impulso. As asas rígidas, por sua vez, utilizam princípios aerodinâmicos semelhantes aos de uma asa de avião, ajustando automaticamente sua orientação.

Segundo a DNV, sistemas de propulsão assistida pelo vento já demonstraram economias anuais de combustível entre 5% e 20% em determinadas embarcações. Em condições favoráveis, foram verificados picos próximos de 30% de redução do consumo de energia por milha náutica.

Esses números variam consideravelmente. Tipo de navio, velocidade, altura disponível no convés, rota, direção predominante dos ventos e perfil operacional determinam o resultado. Um graneleiro em uma rota oceânica pode apresentar condições mais adequadas do que um navio com muitas escalas ou grandes limitações de espaço.

A instalação também interfere na operação. Os equipamentos não podem comprometer guindastes, escotilhas, visibilidade do passadiço ou procedimentos de atracação. Em alguns portos, os sistemas precisam ser rebatidos ou recolhidos para permitir a passagem sob pontes e a utilização dos equipamentos de carga.

A automação é parte essencial da tecnologia. Sensores acompanham a velocidade e a direção do vento, enquanto o sistema calcula o ângulo mais eficiente e limita a operação quando as condições ultrapassam parâmetros de segurança. O objetivo é obter energia adicional sem aumentar excessivamente a carga de trabalho da tripulação.

Há ainda uma mudança no planejamento das viagens. A rota mais curta nem sempre será a de menor consumo. Sistemas de otimização podem recomendar pequenos desvios para aproveitar condições de vento mais favoráveis, desde que o ganho energético compense a distância percorrida.

A propulsão eólica não elimina a necessidade do motor. O navio precisa cumprir horários, manobrar, enfrentar calmarias e manter capacidade operacional independentemente do clima. Sua contribuição está em reduzir a potência exigida da instalação principal durante parte da viagem.

Esse papel complementar pode ser relevante enquanto combustíveis de baixo carbono permanecem caros e com oferta limitada. Cada tonelada de combustível economizada reduz tanto o custo operacional quanto a quantidade de energia limpa que precisará ser produzida no futuro.

O retorno do vento, portanto, não representa uma volta ao passado. Ele mostra como uma fonte conhecida há séculos pode ser incorporada ao navio contemporâneo por meio de engenharia, automação e informação meteorológica.

imagem: marsemfim.com.br

Categoria editorial: 3.Indústria Naval & Tecnologia

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