
O comércio internacional de bens e serviços ligados ao oceano movimentou pouco mais de US$ 2,5 trilhões em 2025, segundo estimativa da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Desse total, cerca de US$ 1,03 trilhão correspondeu a bens e US$ 1,53 trilhão a serviços e a entidade ressalva que algumas transações podem ser contabilizadas nos dois grupos, por isso o valor deve ser entendido como uma estimativa, e não como uma soma sem sobreposições.
O dado chama atenção pelo tamanho, mas também pela variedade de atividades que reúne. A classificação da UNCTAD vai além das cargas transportadas por navios. Inclui serviços como transporte marítimo e turismo costeiro, além de bens relacionados ao setor oceânico, entre eles embarcações e equipamentos portuários. Assim, a cifra retrata diferentes partes de uma cadeia que envolve comércio, serviços e infraestrutura ligada ao mar.
Entretanto, essa abrangência exige cuidado na leitura. Os US$ 2,5 trilhões não representam a receita da frota mercante mundial, nem o valor total de tudo o que se costuma chamar de economia azul. A estimativa acompanha o comércio internacional de determinados bens e serviços definidos pela metodologia da UNCTAD e outras atividades relacionadas ao oceano podem não estar incluídas nessa classificação, enquanto algumas operações podem aparecer em mais de uma categoria.
A participação maior dos serviços no total também ajuda a ampliar a compreensão sobre o setor: o transporte marítimo é uma parte importante da circulação internacional de mercadorias, mas o comércio ligado ao oceano envolve outras atividades que conectam portos, embarcações, equipamentos e destinos. Em algumas áreas, como o turismo costeiro, o vínculo com o mar se expressa por serviços prestados diretamente às pessoas, e não pelo deslocamento de cargas. Os números mostram uma economia marítima diversificada, embora não permitam concluir, por si só, que todas as atividades tenham crescido no mesmo ritmo.
No Brasil, a escala do transporte aquaviário aparece em outra medida. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) registrou 374,6 bilhões de toneladas-quilômetro úteis (TKU) em 2025, resultado 9,81% superior ao de 2024 e o maior dos últimos cinco anos. A TKU relaciona o peso da carga à distância percorrida. Assim, uma carga transportada por um percurso longo, por exemplo, contribui mais para esse indicador do que a mesma quantidade deslocada por uma distância menor.
Os números da UNCTAD e da ANTAQ não podem ser comparados diretamente. O primeiro expressa o valor do comércio internacional de bens e serviços ligados ao oceano e o segundo mede a produção do transporte aquaviário no Brasil em toneladas-quilômetro. Cada indicador observa uma dimensão diferente, mas a leitura conjunta aproxima duas escalas do mesmo universo: o valor que circula entre mercados e o movimento de cargas realizado dentro do país.
Essa diferença também ajuda a olhar para a atividade marítima para além dos valores financeiros. O resultado brasileiro da ANTAQ dá uma medida concreta do volume de transporte e das distâncias percorridas. Na rotina de quem trabalha no setor, essa dimensão aparece na organização das viagens, na operação dos navios e na ligação entre cargas e destinos; são etapas que sustentam uma economia cujos números, vistos de longe, podem parecer abstratos.
A estimativa da UNCTAD situa o oceano entre os grandes espaços do comércio mundial. Para o Brasil, os dados do transporte aquaviário mostram como essa dimensão global também se traduz em atividade no território nacional: entre a cifra internacional e os 374,6 bilhões de TKU registrados no país, estão diferentes mercados e operações e é nesse percurso que a economia do mar deixa de ser apenas uma estatística e passa a fazer parte do cotidiano da navegação.
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Categoria: Economia, Mercados & Comércio Marítimo