O ferry elétrico de 130 metros que já transporta passageiros na América do Sul

por CCMM_news_gp

Para quem cruza o Rio da Prata, a mudança mais perceptível pode estar no ambiente a bordo: sem os motores convencionais a diesel, diminuem o ruído e a vibração associados à propulsão. O ferry China Zorrilla iniciou viagens comerciais entre Buenos Aires, na Argentina, e Colonia, no Uruguai, em 22 de outubro. Pode transportar até 2.100 passageiros e 225 veículos.

Essa escala torna a novidade mais do que uma demonstração tecnológica. Trata-se de um navio de 130 metros levando passageiros e veículos numa rota internacional em operação comercial. O projeto também prevê elevadores que conectam os diferentes níveis do ferry, inclusive os conveses de veículos, um detalhe que afeta diretamente a circulação dos passageiros a bordo.

E, para mover um navio desse porte, o China Zorrilla usa um sistema de baterias com capacidade de 41,2 megawatts-hora, que pesa mais de 250 toneladas. Em linguagem simples, megawatts-hora medem quanta energia pode ser armazenada, como a capacidade de um reservatório. Essa energia alimenta oito motores elétricos ligados a jatos d’água, que impulsionam a embarcação.

Além disso, a operação depende também dos terminais: o ferry tem dois pontos de recarga de 8 megawatts cada, e foram instaladas estruturas específicas nos portos de Buenos Aires e Colonia. Isso permite planejar a recarga junto com as viagens e também impõe uma exigência prática: o terminal precisa dispor de potência elétrica suficiente para atender o navio sem comprometer a operação local.

Durante a travessia, a propulsão a bateria não produz gases de escapamento a bordo. Isso pode reduzir a exposição direta de passageiros e trabalhadores portuários às emissões dos motores do navio, além de diminuir ruído e vibração. O impacto ambiental completo, porém, também depende de como a eletricidade é gerada e da fabricação das baterias.

Para o Brasil, o caso abre uma pergunta prática: quais travessias regulares, curtas e com terminais preparados poderiam se beneficiar de embarcações elétricas?

A experiência do Rio da Prata mostra que o projeto precisa ser pensado como um conjunto: navio, baterias, rede elétrica e rotina dos portos.

Ainda não há base, nas fontes consultadas, para afirmar que essa solução reduziria tarifas ou aumentaria a frequência de viagens e a mudança comprovada até aqui é a entrada de um ferry elétrico de grande porte no serviço comercial sul-americano.

imagem: evdrops.com.br

Categoria: Indústria Naval & Tecnologia

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