CLC Jones Alexandre Barros Soares: do comando de navios à gestão do transporte marítimo

por CCMM

Há um momento na carreira de alguns comandantes em que o horizonte deixa de ser apenas aquele visto do passadiço. O navio continua fazendo parte da vida profissional, mas passa a ser enxergado também como uma peça dentro de uma estrutura muito maior, envolvendo frota, logística, comércio, gestão, segurança e estratégia.

A trajetória do Capitão de Longo Curso Jones Alexandre Barros Soares seguiu exatamente esse caminho.

Formado em Ciências Náuticas pelo Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, o CIABA, Jones construiu sua carreira inicialmente no lugar onde a experiência de um oficial da Marinha Mercante realmente começa a ganhar forma: a bordo.

Ao longo de sua vida profissional, acumulou mais de quatro mil dias de navegação como Capitão de Longo Curso e comandante de navios mercantes da Petrobras Transporte, antiga Frota Nacional de Petroleiros, a Fronape.

Quatro mil dias no mar representam mais de uma década quando colocados lado a lado.

Mas a carreira de um comandante não é feita apenas da soma desses dias.

Ela é feita de chegadas e partidas, operações de carga e descarga, mudanças meteorológicas, manobras, decisões, emergências, inspeções e, principalmente, da responsabilidade permanente por tudo aquilo que acontece dentro do navio.

Foi dessa experiência operacional que Jones avançou para outra dimensão da atividade marítima.

No sistema Petrobras, onde atua há mais de três décadas, e na Transpetro, passou a exercer funções gerenciais. Entre elas estiveram a gerência executiva de Operação de Navios e a direção da Transpetro International BV. Atualmente ocupa a Diretoria de Transporte Marítimo da Transpetro.

É uma mudança de perspectiva interessante.

No passadiço, o comandante olha para um navio.

Na gestão de uma empresa de navegação, precisa olhar para a frota.

Isso significa lidar não apenas com a operação propriamente dita, mas com disponibilidade de embarcações, tripulações, manutenção, segurança, custos, contratos, regulamentação, desempenho e planejamento.

A formação de Jones acompanhou essa transformação profissional. Além das Ciências Náuticas, tornou-se mestre em Gestão de Serviços pelo Instituto Universitário de Lisboa. Fez MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas, formação em Negociação e Liderança pela Harvard Law School e Ship Management & Logistics pela Cambridge Academy of Transport, na Inglaterra.

Mas existe outro aspecto de sua trajetória particularmente interessante para o CCMM.

Jones é membro do Centro dos Capitães da Marinha Mercante e sua participação no setor ultrapassou os limites das empresas nas quais trabalhou. Também integra organizações como a Associação Brasileira de Direito Marítimo, a International Federation of Shipmasters’ Associations, o Nautical Institute, de Londres, e a North American Marine Environment Protection Association.

Em 2018, por exemplo, participou como palestrante de uma reunião do Fórum Permanente de Direito Empresarial da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, tratando de conceitos e práticas de navegação. Na ocasião, aparecia também como membro da Diretoria do Centro dos Capitães da Marinha Mercante e vice-presidente da Associação Brasileira de Direito Marítimo.

Em 2023, sua experiência ganhou outra aplicação. Jones foi nomeado suplente de Juiz Civil do Tribunal Marítimo, instituição responsável pelo julgamento dos acidentes e fatos da navegação no Brasil.

Não deixa de existir uma lógica nisso.

Quem passou milhares de dias navegando sabe que, por trás de cada acidente ou fato da navegação analisado em terra, existiu antes uma situação concreta a bordo.

Um navio não é apenas uma máquina que transporta carga entre dois portos.

É um ambiente de decisões.

E talvez seja justamente essa a característica mais interessante da trajetória de Jones Alexandre Barros Soares.

Ele conheceu o transporte marítimo de dentro para fora.

Primeiro, como oficial e comandante.

Depois, como gestor.

E, ao longo desse caminho, levou consigo algo que nenhuma formação executiva consegue substituir completamente: milhares de dias olhando o mar pela janela de um passadiço.

imagem: https://transpetro.com.br/en_us/transpetro-institucional/noticias/transpetros-board-of-directors-elects-sergio-bacci-as-president.htm

Voce também pode gostar